03/11/2009 08h00 – Atualizado em 03/11/2009 08h00
Alguns fatos marcaram nossa pobre e menosprezada América Latina. Os hondurenhos, uma típica “republiqueta de bananas” fecharam um acordo para que o presidente deposto, Zelaya, até agora enfiado dentro da Embaixada brasileira naquele pobre e infeliz país possa voltar ao poder, pelo menos para satisfazer seu ego, por um mês. O presidente Viajando Lulla da Silva, esteve em Caracas, terra do “projeto de ditador” Hugo Chavez para anunciar a estupidez que o Senado brasileiro fez ao aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Mais embaixo, as presidentes da Argentina e Chile, depois de anos de isolamento e rusgas, fecharam diversos acordos bilaterais. Na capital do narcotráfico, finalmente os colombianos, também para não ficarem atrás, firmaram outro acordo para que os americanos possam lá instalarem bases militares. Cenários ultrapassados envolvendo diversos países latino-americanos em gestos meramente retrógrados.
Foi preciso vir à Honduras um emissário pessoal do presidente Barack Obama, para dar um puxão de orelhas em Zelaya e Micheletti, demonstrando que essa brincadeira de golpe de Estado já tinha passado dos limites e que a paciência de Washington chegara ao fim. Isso só veio confirmar que essa OEA (desOrganização dos Estados americanos), como bem define Fidel Castro, não serve para nada, não tem nenhuma autoridade, ninguem respeita as decisões e imposições desse organismo inútil que só serve para reuniões e comensais, festas e badaladas recepções de diplomadas decaidos. Tanto a ONU como a OEA são entidades falidas e sem autoridade. Depois de exaustivas tentativas da OEA, nenhum acordo foi firmado entre os litigantes hondurenhos. Após ficar apenas olhando Obama decidiu intervir de forma dura e veio mostrar a antiga máxima dos ianques – “A América para os americanos”!
Quanto à visita de Lulla à Caracas foi mais um jogo de cena. Chavez há dois anos, vociferou contra os congressistas brasileiros, chamando o Senado de “papagaio dos americanos”, numa demonstração clara de sua personalidade doentia, sua vocação ditatorial em não respeitar os limites que o protocolo exige nas relações entre os Estados. Chavez nunca respeitou ninguem nem mesmo outros presidentes e isso ficou patente quando chamou o atual presidente peruano, Alán Garcia, de “sem-vergonha”. E os nossos senadores, especificamente aqueles que dão sustentação ao governo, agora numa demonstração de covardia apoiam a entrada da Venezuela no Mercosul. Chavez não agrega e sim é um componente desagregador sem dúvida trará para o seio no Mercosul problemas incontornáveis.
Em relação, à Argentina e Chile, é público que os dois países trazem há anos muitas diferenças e contrastes. Apenas históricamente precisamos lembrar que os dois países se uniram em 1.810 com as forças de Bernardo H’Oggins e José de San Martin, impondo severa derrota à Espanha e decretando o fim do colonialismo ibérico no Cone Sul. Mas, ambos os países tiveram inúmeras diferenças chegando às vias de fato por conta dos limites no Canal de Beagle, na Patagônia. Na Guerra das Malvinas, o Chile apoiou abertamente a Inglaterra contra a Argentina, cedendo pistas de aeroportos e bases navais para servir de trampolim dos ataques britânicos contra os argentinos. Isso tudo é passado. Marcelo Bielsa, argentino, é técnico vitorioso da seleção chilena e depois da classificação para a Copa da África é cotado até para ser candidato à presidência do Chile. Mudanças nos ares do Sul.
- Jornalista e Acadêmico de Direito/Araçatuba-SP




