21/01/2011 11h32 – Atualizado em 21/01/2011 11h32
O bueiro que nos diga, já não suporta mais tanto lixo, e depois não reclame se for surpreendido após milímetros da abençoada, agora condenada chuva, seu carro ir para o ferro velho
Emerson Augusto Fonseca
Em todo o mundo, milhares de toneladas de lixo são produzidas todo dia, e essa realidade não está muito longe dos nossos olhos, basta irmos até o portão da nossa casa ou trabalho que veremos uma lata cheia de descartáveis e muitas vezes até restos de comida.
A praticidade, e a variedade de produtos que facilitam o nosso cotidiano, fez com que produzíssemos mais lixo nos últimos 50 anos do que em toda história da raça humana, deixando um rasto de sujeira, e perguntas que mesmo especialistas, ambientais e ONGS que tratam do assunto não sabem e divergem –se, não entrando em um consenso.
Aonde vamos por tanto lixo? Qual será o destino de lixos considerados nocivos à saúde? Poderá uma sociedade mudar seus conceitos?
Latas, lacres, sacolas, vidros, pneus….redondos, quadrados, retangulares, cubos e em forma de gases, a regra é, se tem dinheiro vamos ser práticos e se ser práticos é consumir produtos descartáveis… vale até mesmo mandar para nosso país o “lixo nosso de cada dia”.
A cultura de que lixo é lixo, e depois de usado deve ser jogado fora, fez com que contraíssemos a atitude errônea de tratar de um problema que nos aflige e que será nos próximos anos uma pedra no seu, no meu sapato e no do nosso vizinho, que joga lixo no lixo do quintal do outro vizinho, que por sua vez enche a sua lata de lixo e despeja às escuras no quintal mais próximo…e assim vamos convivendo com a triste saga de depararmos com uma barata, um rato…ou com outro qualquer e indesejável hospede transitando em meio ao seu depósito de descartáveis.
Têm gente que vive de lixo? Infelizmente sim. Vive de lixo quem têm fome, quem por sua vez recicla o lixo que depois vai virar lixo novamente, e há gente que simplesmente e desenfreadamente produz lixo. Há também pessoas que gostam de guardar lixo e fazem do seu doce lar um depósito de estimáveis cacarecos. “O cuidadoso”, pensa que está fazendo um bem, mas basta uma chuva, sol e alguns dias para que seus pertences inocentes se transformem em uma arma mortal e epidêmica.
Na boca do lixo vai lixo, e da boca dos responsáveis por cuidar do mal em comum, muitas vezes fica estreitada nos papéis que também um dia vão virar lixo…e o “blá….blá…blá”…, das promessas se tornam descartáveis diante de poderosas multinacionais produtoras maiores do lixo.
Se lixo é lixo, querem tratá-lo como lixo.
O bueiro que nos diga, já não suporta mais tanto lixo, e depois não reclame se for surpreendido após milímetros da abençoada, agora condenada chuva, seu carro ir para o ferro velho, seus móveis, pertences e alguns de seus lixos boiarem na irresponsabilidade mútua e depois não vá dizer que foi somente culpa do “o lixo nosso de cada dia”. Esse pensamento é um lixo, e lugar de lixo é no lixo.


