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terça-feira, 17 de março de 2026

Investigadora diz que sofre preconceito, mas afirma que profissão é gratificante

07/03/2011 15h36 – Atualizado em 07/03/2011 15h36

Neide trabalha na área há seis anos

Emerson Augusto Fonseca

Em uma profissão dominada por homens, a investigadora da Polícia Civil, Neide Santos da Silva, mostra que a mulher está a cada dia provando que é capaz de vencer barreiras, e mesmo com o preconceito existente em algumas profissões, elas podem desempenhar com profissionalismo e eficiência ofícios que antes somente eram ocupados pelo sexo masculino.

Neide, de 44 anos, atualmente ocupa o cargo de Investigadora de Polícia Civil no município de Brasilândia, e orgulha-se por seu desempenho, coragem e mostra do que a mulher é capaz.

Perfil News: Quando criança você já sonhava em ser policial?
Neide:
Sempre sonhei ser policial, demorou, mas consegui. Meu esposo não aceitava essa profissão. Fui aprovada em vários concursos da polícia, no Estado de São Paulo, porém a mudança para outra cidade não agradou minha família e acabei cedendo. Aprovada também em um concurso em Cuiabá-MT, novamente não tive o apoio da família e tive que abandonar, e por último tinha que ir para Campo Grande. Criei coragem. Não era mais novinha e tinha que ir atrás do meu sonho.

PN: Decidir por uma profissão onde exige muita concentração, equilíbrio emocional e coragem, mexe com o emocional da Mulher Neide?
N:
Sim, infelizmente. Convivo com tragédias, problemas conjugais, alcoólatras, usuários de drogas e também supervisiono presos. Tenho que tratar com respeito e profissionalismo a população que chega às vezes desorientada na delegacia expondo o seu problema, muitas vezes até mesmo com palavras ofensivas. Nesses casos faço de tudo para acalmar e uso de argumentos e muita paciência e isso eu tenho de sobra.

PN: Neide a sua profissão é ocupada por uma maioria masculina, já sofreu algum preconceito, e como reage diante dessas situações?
N:
Sim, pessoas chegam de madrugada na delegacia e quando vou atender perguntam se não há um policial na delegacia. Quando respondo que a policial sou eu, a pessoa fica sem graça, mas depois vou atender a ocorrência na rua e talvez, por notarem que posso, mesmo sendo Mulher, ter a mesma eficiência que um policial do sexo masculino, elas sentem-se seguras.

PN: Acha que a Mulher é capaz de desempenhar esta função com a mesma eficiência que um homem?
N:
.Eu desempenho. Já me perguntaram se eu não tenho medo de ficar na delegacia sozinha eu digo que não. Não tenho medo.

PN: Como toda Mulher, a policial Neide, tem sonhos, paixões? Você se sente realizada na sua profissão?
N:
Estou realizada, pois gosto de ajudar as pessoas, principalmente as mães que têm filhos usuários de drogas, dependentes de crack. Em Brasilândia é absurdo o número de adolescentes dependentes desse tipo de droga. Sinto-me feliz, pois, nos últimos meses conseguimos a internação de três adolescentes, que estão em clínicas de recuperação, vou ficar mais feliz, quando eles retornarem e não usar mais essa droga de crack. Infelizmente à maioria das pessoas acreditam que não há recuperação. Lamento.

PN: Na sua profissão, muitas vezes você presencia situações, onde o profissional tem que falar mais alto que o emocional. Você consegue distinguir a profissional Neide e a Neide como integrante de uma família?
N:
Muito difícil. Mas não impossível.

Perfil News: Qual o recado que você, como Mulher, deixa para outras mulheres que sonham em ingressar em uma profissão até então tida como masculina?
Neide:
Muitas mulheres, jovens e até crianças me abordam na rua e falam que querem ser policial. Dou o maior apoio e incentivo. É uma profissão gratificante. Quando resolvo a autoria de um furto, ou desaparecimento e recupero bens que às vezes pra nós profissionais da área não têm muito significado, mas para a vítima vale muito, me sinto realizada como profissional e ser humano. O importante é compreender cada cidadão, e o principal é tratar todo mundo igual, independente da classe social e outros.

Aos 44 anos, Neide desempenha a profissão de Investigadora da Polícia Civil
Foto: Arquivo Pessoal

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