12/04/2011 10h33 – Atualizado em 12/04/2011 10h33
Imagem Construída
Como transformar um homem em Deus perante aos olhos alheios
Guilherme Leles
Pense em que tipo de mensagem você quer passar em uma foto, um merchandising, uma pose erótica, um olhar esnobe, fatal, enfim decida o que quer transmitir. A imagem é a forma de comunicação menos sabia para aqueles que se esqueceram de interpretar pela leitura, ou que nunca aprenderam. Quando não existiam as câmeras e as pinturas eram restritas a algumas camadas sociais, a única forma de descrever a um leigo sobre o poder existente em determinado objeto, seria demonstrando pela imagem.
A imagem não perdeu a sua função primordial que é comunicar pela leitura do olhar consegue fazer sobre ela, quando o sujeito não tem conhecimento aprofundado sobre determinado assunto ou objeto, fica mais fácil persuadi-lo com a idéia construída, perante seus olhos. Para que isso funcione de forma positiva ao criador da imagem, antes de qualquer ato ele deve conhecer o tipo de público que almeja apresentar sua produção.
As imagens constroem ideais ignorantes que dificilmente podem ser retiradas, pois são processadas como uma linguagem cognitiva. A isso limito grosseiramente como se constitui a formulação dos rótulos, aquele dado a certos produtos consumíveis ou apenas admirados (como acontece com produtos comerciais). Veja como exemplo claro as pessoas públicas, que levam consigo uma marca tornando-se ícones por contradição a sua humanidade há uma exaltação divina, seus erros e defeitos são tapados com quilos de maquiagem que não ficam apenas na derme, mas também no extrato social em que as cercam. A vida desses sujeitos deve ser dissimulada a interpretação de magnitude e perfeição, cobiçada por muitos.
Existem dois graves problemas nessa questão de tornar-se ícone, o primeiro é ter que policiar todos os atos e gestos, o segundo é deixar de ser humano para virar mártir de adjetivismo. No final das contas o homem tornou-se da noite para o dia referência para outros, com direito a imagens em seu nome. Os tolos querem seguir seu novo ídolo, humano, mais palpável e real que seus deuses religiosos, muitos dos quais tidos apenas pela fé, aqueles menos possuidores de sabedoria que mal distinguem o esquerdo do direito, crendo pela imitação superficial da imagem ter chego ao mesmo grau de representação, vislumbrando no ícone não vê a cegueira que a imagem informativa lhe causou.




