30/06/2011 18h04 – Atualizado em 30/06/2011 18h04
Até quando a “caixa preta” da Assembleia ficará lacrada?
Elizio Brites
As instituições existem para proteger o interesse dos cidadãos e não para acobertar falcatruas de seus membros.
São graves as denúncias involuntárias do ex-deputado Ary Rigo para ser tratada assim, com tanta simplicidade pelo desembargador Luiz Carlos Santini. O Presidente da OAB (Ordem, dos Advogados do Brasil) está correto e tem o respaldo das demais instituições que representa as organizações da sociedade civil organizada.
É necessário, sim, abrir as contas da Assembleia Legislativa. Nada justifica insistir em manter essa caixa preta lacrada. Nem precisaria tantas desculpas para se fazer isso, as contas públicas necessariamente devem ser transparentes, a lei de transparências exige das Instituições e administradores públicos.
Ninguém está acima da lei. É um absurdo a desculpa que o desembargador deu para justificar e dar o caso por encerrado. Para nós, que pagamos as contas, isso é muito mais uma confissão de culpa do que qualquer outra coisa.
É como se o Fernandinho Beira Mar dissesse que nunca foi traficante ou criminoso e isso o suficiente para liberá-lo de cumprir a sua pena.
Tem um ditado que diz: “quem não deve não teme” e nesse caso concreto as revelações do Ary Rigo foram gravadas com autorização judicial, para colher provas de denuncias que já vinham sendo investigadas.
Só o fato de se negarem a abrir as contas já caracteriza fortes indícios de que ouve mesmo a formação de quadrilha da “Máfia do Paletó” e pelo tráfico de influência dos envolvidos nem deveriam ser tratados por membros da Instituição já que todos, em tese, seriam suspeitos.
A sociedade sul mato-grossense merece que o caso seja 100% esclarecido, não aceitamos 99%. Vamos nos sentir roubados mais uma vez e não existe mais clima para tanta impunidade.
Tenho assistido às novelas da rede Globo de televisão que muito bem retrata como funciona a corrupção no país, desde a época do Brasil Império até os dias de hoje. Sinto a indignação de todos, dos personagens aos telespectadores.
Isso é sinal de maturidade e não podemos deixar de dar nossa colaboração cidadã cobrando o que nos é de direito, ou seja, a transparência do uso do dinheiro público em todos os níveis da administração pública.
As provas, com certeza, estão na caixa preta que se recusam a abrir.
Justiça!
*Empresário e Bel. em Direito


