22 C
Três Lagoas
segunda-feira, 16 de março de 2026

Tudo muito bonito, palmas para todos

15/04/2012 18h32 – Atualizado em 15/04/2012 18h32

Por Antonio Carlos Garcia de Oliveira*

Conversando com o amigo Marco Garcia externei a ele minhas preocupações com o ciclo do eucalipto em nossa região.

Expliquei a ele que sou originário de uma região onde a cana prepondera de forma agressiva, e, a região é Jaú, Lençois Paulista, Barra Bonita, etc. Lá os empresários do álcool e do açúcar não deram trégua para a natureza, destruindo tudo que viram pela frente para plantar cana. Depois de 50 anos plantando cana, os empresários perceberam que a natureza como um todo era tão necessária como a cana e resolveram proteger córregos, reflorestar áreas nativas, plantar frutíferas nos corredores, cuidar dos mananciais de água, etc. Quero crer que passados 50 anos a mentalidade dos empresários do eucalipto não seja a pretérita.

Porque falo isso. Falo porque eu registrei na promotoria local os empresários plantadores de eucaliptos derrubando mais de 180 árvores de pequi sabedores que não podem ser derrubadas. Ví com meus olhos pelo menos 04 animais antas mortas em razão da falta de cuidado quando da construção da primeira fábrica de papel daqui.

Desses mesmos empresários do eucalipto vi em seus contratos de arrendamento, cláusulas no sentido de que não seriam responsáveis pelas áreas de Reserva Legal e nem de Preservação Permanente das propriedades arrendadas. Na semana passada fiquei sabendo que os plantadores estão utilizando os famigerados correntões para derrubada de mais hectares de matas que possuímos em nossa área, tudo para o plantio do eucalipto.

Não vi na espetacular Feira Florestal nenhum projeto ou máquina para plantio de árvores nativas ou de recuperação de áreas de preservação, muito ao contrário.

Por isso disse ao Marco que, tudo é muito bonito no papel, porque na prática as coisas são bem diferentes. Bradam aos quatro cantos a tal sustentabilidade, mas mostram que o compromisso ambiental é frágil. E tudo fica pior pelo fato de não ter fiscalização do Órgão Ambiental do Estado sobre as florestas plantadas, de ter somente 16 homens trabalhando na Polícia Ambiental para fiscalizar milhares de hectares de eucaliptos, de ter uma política de meio ambiente que só recebeu migalhas das empresas do eucalipto até agora, e para concluir, como só recebemos papéis cuja verdade não é contestada por ninguém, a mim não é crível que todos aqueles que estão no ciclo do eucalipto (empresários, plantadores, e demais) estejam mostrando a realidade do que está acontecendo.

Explico que eu quero é mais, mais fiscalização, mais esclarecimento, mais visualização, mais transparência, mais realidade. Acho que não estou pedindo demais.

(*) Antonio Carlos Garcia de Oliveira é Pomotor de Justiça do Meio Ambiente de Três Lagoas

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.