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terça-feira, 9 de junho de 2026

Imagens aéreas mostram que área ocupada virou ‘aldeia’

22/05/2013 08h30 – Atualizado em 22/05/2013 08h30

Imagens aéreas mostram que área ocupada em MS virou ‘aldeia’

Indígenas devem permanecer na fazenda Buriti até dia 29, diz Funai. Produtores rurais afirmam temer novas ocupações em Sidrolândia.

Da Redação

Imagens aéreas mostram que a área ocupada por índios desde quarta-feira (15) em Sidrolândia, virou praticamente uma aldeia. Indígenas construíram diversos barracos na área e devem permanecer no local pelo menos até o dia 29.

São 1,6 mil terena na região, segundo números da coordenação técnica local da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município. Metade está na fazenda Buriti, onde o clima está mais tenso. No primeiro dia de ocupação eram apenas 180.

Os indígenas não permitem a entrada na propriedade. As imagens aéreas também mostram os os índios perto da sede. A Funai nega que eles tenham entrado ou provocado danos a qualquer imóvel.

Conforme o coordenador da Funai no município, Jorge Antônio das Neves, os índios querem esperar o desdobramento da audiência de conciliação entre eles e produtores rurais, marcada pela Justiça para o dia 29, para decidir os rumos da ocupação. Segundo Neves, todos os indígenas que estão na região são da aldeia Buriti, que possui cerca de 4 mil terena. “A única coisa que eles querem é a terra. Agora é aguardar a audiência para ver o que vai acontecer”, disse.

O coordenador da Funai afirma que o órgão já vistoriou 32 propriedades na região em uma área que totaliza 17,2 mil hectares. Segundo ele, a portaria declaratória a favor dos índios já foi expedida após emissão de laudo antropológico e avaliação do Ministério da Justiça. A demarcação física das terras deve começar no mês que vem para que, em seguida, os processos de homologação e posse sejam feitos, informa. “É uma guerra de papel”.

Neves também afirmou que, apesar de a Funai acompanhar a situação em Sidrolândia todos os dias, as decisões sobre a ocupação são dos indígenas. Ele ainda relata que índios de outras etnias podem ir até a Buriti para engrossar o movimento.

Para o coordenador da Funai, o cumprimento de uma possível reintegração de posse na fazenda é difícil. Segundo ele, a solução do problema passa pelas mãos do governo federal. “O governo tem que indenizar o fazendeiro e entregar a terra aos índios”.

Com a decisão da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul que suspendeu o cumprimento do mandato de reintegração de posse para a área, policiais federais deixaram a área na tarde de segunda (20). A PF fazia a segurança no local desde a semana passada.

OUTRO LADO

O presidente do Sindicato Rural de Sidrolândia, Osório Luiz Straliotto, disse que muitos produtores donos de fazendas no município estão tensos com a situação. “Hoje em Sidrolândia há um clima de apreensão. Ninguém quer confronto, mas tem de existir um ponto de equilíbrio. A Justiça não consegue reverter [ocupação] e a Polícia Federal não consegue retirar os índios”.

Sobre os processos de demarcação na região, Straliotto afirma que produtores possuem documentos “de 100 anos” que comprovam a titularidade das terras. “Eles não estão reivindicado o que não é deles”.

Já o diretor da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Almir Dalpasquale, reforçou o posicionamento da entidade em questionar a Polícia Federal por não cumprir o mandado de reintegração de posse que havia sido expedido para a fazenda Buriti.

(*) Com informações de G1 MS

Imagem aérea mostra barracos construídos por índios na região. (Foto: Alysson Maruyama/TV Morena)

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