27/08/2013 10h16 – Atualizado em 27/08/2013 10h16
Região Centro-Oeste cresceu na agricultura, fortemente no binômio soja/milho safrinha
Carlos Pitol
Já é quase um consenso entre os técnicos que a falta de rotação de culturas é a principal causa dos problemas nas áreas agrícolas no sistema de plantio direto. É simples constatar isto, basta comparar as áreas de produtores que praticam um mínimo de rotação de culturas, ou estão na ILP/ILPF, bem conduzidas, com as áreas que estão na monocultura soja/milho safrinha há vários anos, e analisar os problemas fitossanitários: invasoras, pragas e doenças e a produtividade das culturas. Nem tudo se deve à monocultura, mas é sabido que ao longo dos anos os problemas vão surgindo e se agravando.
É possível produzir de forma sustentável em cima de monocultura única e exclusivamente? A resposta é não. Basta usar um pouco de racionalidade para entender isto.
A região Centro-Oeste, nos últimos anos, cresceu na agricultura, fortemente no binômio soja/milho safrinha, em detrimento de uma agricultura mais diversificada. Claro que influenciada pelo mercado, em função da alta valorização internacional da soja e do milho.
Mas vejamos que, para a próxima safra 2013/14, a soja já não oferece todo aquele estímulo que houve nas duas últimas safras e o milho, salvo algum acontecimento que mude os rumos do mercado, deverá entrar num período de mercado abastecido, com o preço caindo á níveis abaixo do custo de produção para muitos agricultores, que estão com o custo muito elevado. Será que não é a hora do produtor pensar na próxima safra de outono/inverno?
Aproveitar o baixo preço dos dois principais produtos agrícolas e dar espaço para outras culturas, pelo menos no outono/inverno, visando corrigir problemas provocados pela falta de rotação de culturas?
Adianta saturar o mercado com milho, sem pensar no custo de produção, e ficar chorando que o produto está baixo ou que ninguém está comprando?
O período de outono/inverno é onde temos mais opções de rotacionar culturas, melhorando o sistema de produção. Para quem tem a opção da Integração Lavoura Pecuária, a solução do problema é mais fácil. Muitos outros produtores poderiam optar por este sistema de produção e ter mais estabilidade na sua atividade, pois ele estará investindo no aumento da produtividade sem colocar mais produto no mercado.
Por fim, tem gente que procura solucionar os problemas e gargalos enquanto outros preferem não mudar e, na emoção, das dificuldades, levar a vida. Alternativas existem e não são as mesmas para todos.
Fazer mudanças ou adequações num momento mais estável financeiramente é melhor do que no momento de dificuldades.
Pense nisso! Veja que há alternativas. A busca de soluções dependem da vontade de cada um.
Carlos Pitol é engenheiro agrônomoformado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, 1981), especializado em manejo do solo e do estado nutricional de plantas pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE, 1999). Atua como pesquisador do setor de Fitotecnia Soja da Fundação MS.

