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domingo, 15 de março de 2026

ARTIGO: ‘Bolha’ imobiliária e as cooperativas habitacionais

14/11/2013 16h26 – Atualizado em 14/11/2013 16h26

Edivaldo Del Grande

A existência de uma ‘bolha’ no mercado imobiliário brasileiro começou a tomar conta do debate depois do crescimento vertiginoso do setor nos últimos anos. O alerta foi lançado meses atrás por Robert Shiller, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia neste ano, e logo encontrou defensores no país. Shiller aponta a possibilidade de o Brasil estar passando uma bolha imobiliária semelhante à vivida pelos Estados Unidos e que originou a crise econômica de 2008.

Os defensores dessa tese ressaltam que a alta exorbitante do preço dos imóveis nos últimos anos não se sustenta por muito mais tempo. Em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, os preços mais que dobraram no período. A facilidade de financiamento contribuiu para esse crescimento, mas também é apontada como outro viés responsável por uma possível alta de inadimplência. Com o início da entrega de muitos imóveis, o tomador do empréstimo começa a enfrentar outras despesas, reforçando a possibilidade de inadimplência.

Por outro lado, uma boa parte do mercado defende que o país tem um grande déficit habitacional. Esse grupo também aponta que a inadimplência no setor ainda é muito baixa, principalmente pela preocupação das famílias em perder a casa própria. O mercado aposta que o setor continuará crescendo, mas em menor ritmo e variação de preços.

O crescimento do mercado imobiliário no país nos últimos anos mostrou uma face perversa do setor, que aposta em grandes ganhos de investidores e no endividamento de uma grande parcela da população por longos anos. Para conquistar o sonho da casa própria, as famílias encaram dívidas por décadas, com preços questionáveis de imóveis. Um sistema mais harmonioso garantiria a eliminação dos intermediários nessa relação de compra e venda de imóveis. Ela é possível por meio da criação de cooperativas habitacionais, cada vez mais apontadas como solução para muitas famílias.

Uma das grandes vantagens dessas cooperativas é a economia em comparação com outros empreendimentos. A construção de moradia por uma cooperativa habitacional pode proporcionar a redução do custo final do imóvel em até 50%, além de outros benefícios. No cartório de imóveis, por exemplo, os custos podem ter redução de até 75%, que deve ser solicitada pela cooperativa no momento do arquivamento dos atos.

Nas cooperativas, os interessados são os próprios donos, também chamados de cooperados, e ditam o rumo do negócio de forma democrática. O cooperado deve ter um papel ativo nesses empreendimentos e precisa fiscalizar e agir como sócio. Um dos principais passos é a regularização da cooperativa. Em São Paulo, ela deve ser registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), e em instituições similares em outros estados.

O associado de uma cooperativa habitacional tem a certeza que está pagando o preço justo para conquistar o sonho da casa própria. Organizadas em cooperativas, as pessoas conseguem suprir suas reais necessidades, construindo uma sociedade mais justa, livre e fraterna.

Edivaldo Del Grande é presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP).

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