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Três Lagoas
sábado, 30 de agosto de 2025

A MÚSICA QUE NOS UNE: reflexões sobre a 35ª Festa do Folclore de Três Lagoas

Enfim, após quatro dias de intensa celebração, a 35ª Festa do Folclore de Três Lagoas encerrou-se na noite de domingo em grande estilo, coroada com um show que ficará na memória: Paralamas do Sucesso. A banda, que atravessou décadas e consolidou-se nos anos 80 como um dos pilares do rock nacional, trouxe à nossa terra sertaneja um espetáculo nostálgico, capaz de resgatar lembranças adormecidas e fazer vibrar corações de diferentes gerações.

Eis que, mais de 40 anos depois, os Paralamas sobem ao palco em plena noite de domingo e transformam Três Lagoas em um encontro de memórias e emoções. Ali estavam meus contemporâneos, sessentões que outrora dançavam ao som de “Óculos”, “Meu Erro” e “Alagados” nas pistas das discotecas, agora dividindo espaço com jovens que, mesmo sem viver aquela época, sabem reconhecer a força de uma boa canção. Ver todas essas vozes unidas em coro, em um só compasso, foi presenciar a prova viva de que a música verdadeira não envelhece: ela se reinventa, atravessa gerações e continua a tocar fundo na alma.

Mais do que o show em si, o que emocionou foi a forma como o público se comportou: receptivo, caloroso, respeitoso. Houve interação, houve vibração, mas também houve cuidado. A organização não deixou de lado nenhum detalhe, desde a segurança impecável até a inclusão de um espaço dedicado às pessoas com deficiência (PcD), que puderam assistir à apresentação com dignidade e conforto. Um gesto que, embora pareça simples, carrega a grandeza do respeito e da empatia.

Os outros dias também foram marcados por grandes momentos: o jovem Nathan, que abriu a festa com leveza e humor; Eduardo Costa, que mostrou por que é querido por multidões; e o eterno romântico Fábio Junior, que transformou o sábado em um espetáculo de paixão, arrancando suspiros e protagonizando memórias que, sem dúvida, ficarão registradas nos corações apaixonados que ali estavam.

É claro que em tempos de redes sociais, sempre haverá quem critique. Talvez por vaidade, por buscar holofotes ou, quem sabe, por não saber reconhecer a grandiosidade do que se constrói com tanto esforço. Mas o que permanece, o que é concreto, é o valor cultural desse evento, que há 35 anos oferece oportunidades: para entidades locais que arrecadam recursos, para artistas da terra que têm espaço para mostrar seu talento, e principalmente para a população, que recebe de graça um espetáculo que, em outras circunstâncias, seria inacessível para muitos.

A Festa do Folclore é mais que entretenimento: é identidade, é inclusão, é memória coletiva. É a prova de que Três Lagoas tem estrutura, recursos e, sobretudo, público para eventos dessa magnitude. E mais que isso: tem o direito de exigir que sua cultura seja valorizada e celebrada.

De minha parte, deixo aqui o registro emocionado de quem viveu dias intensos e saiu deles com o coração cheio de gratidão e esperança. Que venha a próxima edição, ainda maior, ainda mais plural, ainda mais inesquecível.

Aos organizadores, meus sinceros parabéns! Vocês não apenas realizaram uma festa. Vocês deram vida à memória, reacenderam a chama da música e mostraram que quando a arte se encontra com o povo, tudo se transforma em poesia.

Ricardo Ojeda

Diretor do Perfil News

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