Produções e serviços de diferentes profissionais possuem mercado dentro e fora do Estado e o Sebrae/MS apoia empreendedores a gerarem renda
A proteção das florestas vinda pelo trabalho matreiro Yasí Yatere e os animais sendo defendidos pela mitológica Caipora são alguns dos seres presentes em diferentes histórias e contos em Mato Grosso do Sul, e fora daqui. As lendas do dragão que tem sua cabeça exposta entre o Pantanal e o Cerrado para proteger o território ou da Caverna do Guerreiro que procura acolher quem se encontra em difícil situação também habitam muitos relatos no Estado. Essas e outras riquezas folclóricas e tradicionais locais têm gerado interesse e também negócios para empreendedores.
Tradições culturais populares podem gerar inúmeras recordações, sensações e despertam o interesse de gente do Brasil e de outros países que procuram visitar um destino turístico aqui no Mato Grosso do Sul, querem encontrar produtos que acabam sendo únicos por representar mitologias ou podem ter a oportunidade de aprender sobre instrumento que gera música tão especial que já é patrimônio imaterial brasileiro.
A partir da economia criativa, esses interesses viram oportunidade que estão sendo exploradas em diferentes partes do Estado, como Aquidauana, Ladário, Corumbá, Campo Grande, entre outras cidades.
No mês de agosto tem a celebração para fortalecer o Folclore brasileiro e o Sebrae/MS tem atuando com diferentes estratégias e ferramentas para apoiar empreendedores que buscam mercado ao fortalecer seus serviços e produtos por apostarem nas tradições locais e nacionais.
A artesã Gisele Monteiro passou a criar peças únicas em Corumbá para representar um dos personagens mais famosos nas festas juninas, o Mestre Cururueiro, responsável por tocar o cururu e entoar a dança do siriri. Para fortalecer essa cultura, ela faz bonecos de pano para decoração ou brincadeira de crianças. Também produz bonecas da cultura afro-brasileira. “Conseguir trabalhar com o que se ama é maravilhoso e enriquece o que temos de nosso, que é a cultura”, defende a dona do Gily Ateliê.
Mestre Cururueiro de ofício e paixão, Sebastião de Souza Brandão é outro empreendedor que leva nas suas mãos o compromisso de ser embaixador da tradição e do folclore pantaneiros. Ele atende em seu ateliê e museu de memória, em Ladário, quem quer conhecer e ouvir a viola de cocho sendo tocada ao vivo. Também promove oficinas para perpetuar esse conhecimento. “Esse é um amor que sigo, o de compartilhar a música, o instrumento e o conhecimento que veio pelo meu pai e faço questão de passar adiante.”
Ao seguir por esse caminho de tradições, no Distrito de Camisão (Aquidauana), o condutor ambiental Rubens dos Santos permite que o visitante da região do Morro do Paxixi descubra como a Trilha Encantada leva as pessoas para a Caverna da Cabeça do Dragão e outros lugares cheios de experimentações sensoriais. Esse território tem se consolidado como destino turístico por conta de suas belezas naturais, e o que Rubens faz é unir a estética do local com uma experiência sobre histórias centenárias de guerra e origens indígenas.
“Há uma beleza encantadora que serviu de abrigo para moradores e esconderijo para fugitivos da Guerra da Tríplice Aliança. ‘Morro do Paxixi’, em tupi-guarani, significa ‘Morro que Chora’. Durante meu trabalho como guia, destaco a Trilha Encantada de Camisão. Os galhos sussurram histórias antigas. Ofereço aos visitantes informações e curiosidades sobre os locais visitados, o que transforma um simples passeio em uma verdadeira viagem de descobertas culturais e históricas”, detalha Rubens, que explica sobre Tairandá, o Dragão dos Ventos, a Caverna do Coração e a Caverna do Guerreiro Esquecido em seu passeio guiado oferecido pela Trilha Paxixi.
Outra profissional que se dedida ao Folclore é Marina Torrecilha. Ela está há cinco anos com seu ateliê Copa de Barro, que funciona em Campo Grande. Os encantos que existem na fronteira, no Cerrado, no Pantanal e em áreas de mata instigam a artesã para criar produtos.
O Saci e seu “irmão” da mitologia paraguaia e de fronteira Yasí Yatere, a Caipora e a Matinta Perera, um dos entes mais populares representado por uma figura feminina e que pode andar pelos céus, terra, fogo e água, criando som por meio de um assobio, algumas vezes assustador, e pedindo prendas por casas e locais onde passa, despertam a curiosidade da artesã e alimentam sua produção.
“Nossas narrativas são ricas, complexas e profundas. Acredito que precisamos urgentemente nos apropriar do que é nosso. Estamos acostumados a consumir o que vem de fora, então, quando apresento uma arte feita com todo amor do mundo que representa nossa identidade, as pessoas automaticamente se conectam e percebem que somos grandes”, explica a artesã que vem criando esculturas, canecas, bules, tabuleiros de xadrez e incensários que já foram vendidos para países que falam inglês, italiano, alemão, francês e japonês.
Criatividade é negócio e economia
A analista-técnica do Sebrae/MS, Daniele Muniz, observa que o setor da economia criativa, no Brasil, corresponde a um mercado de bilhões de reais, ocupando em torno de 0,8% do PIB. Só em artesãos, Mato Grosso do Sul tem mais de 8 mil profissionais formalizados e ainda há um obstáculo para que tantos outros empreendedores desse ofício consigam realizar a formalização.
“As atividades artística e cultural geram um grande impacto positivo na economia. O Estado tem uma vocação grande para o setor e o Sebrae reconhece todo esse potencial. Essas são as economias portadoras de futuro, que envolve o bem estar social, as tradições, a sustentabilidade, a distribuição de riqueza. É possível mensurar tudo isso e precificar, o que vai ajudar a valorizar esses profissionais. É um trabalho que envolve muito amor”, explica Muniz.
Para apoiar os empreendedores, há diferentes iniciativas em andamento. Uma delas é o projeto Raízes Criativas, que está em execução em cidades como Coxim, Rio Verde de MT e outras 10 cidades da região Norte de MS, além de Corumbá, Ladário e outros municípios da região Oeste. Além disso, o Sebrae/MS tem diferentes ferramentas para favorecer a capacitação e aumento da gestão desses profissionais, bem como apoio no marketing digital, montagem de portfólio e promoção de oficinas que contribuem na captação de recursos.
Para mais informações, entre em contato pela Central de Relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800, ou acesse: ms.sebrae.com.br.