Empreendedoras e empreendedores miram plataformas, como Amazon, e eventos internacionais para escalar oportunidades
Mais de 200 negócios de Mato Grosso do Sul que atuam na bioeconomia, ligados ao Pantanal e Cerrado, vêm recebendo impulsionamento com apoio do Sebrae/MS para ampliar mercado, aprimorar parcerias estratégicas e consolidar reconhecimento de produtos e serviços. Por meio do Made in Pantanal, o Sebrae/MS viabilizou que empreendedores obtenham espaço no marketplace da Amazon, além de receber um selo para agregar valor e participar de eventos, como o espaço Brasil Biomarket, durante a COP30.
O intuito desse trabalho é abrir fronteiras para os pequenos negócios locais que querem romper barreiras geográficas e decidiram estruturar-se para atender mercados que estão fora do Estado. O analista-técnico do Sebrae/MS Vinícius Pacheco reforça que essa consolidação de mercado cria diferentes oportunidades no médio e longo prazo e exige curadoria e capacitação dos empresários para garantir que eles alcancem bons negócios.
“Não se trata apenas de vendas diretas, mas da construção de uma imagem de marca associada à bioeconomia e à sustentabilidade. Nossa previsão é de forte expansão para os próximos anos. Para 2026, a meta é expandir significativamente o número de empresas do selo Made in Pantanal. Estamos trabalhando ativamente na capacitação de novos grupos de empresários e na curadoria de produtos com potencial para o marketplace”, explica o analista.O biólogo Rodrigo Borghezan criou a Cerrado em Pé em 2022 ao lado da esposa, a também bióloga Bruna Oliveira, após notar as barreiras de pequenos produtores na comercialização de hortaliças e frutas em MS.

A integração dos negócios ao selo Made in Pantanal representa a obtenção de um certificado de origem e de compromisso com a sustentabilidade. Com essa construção de marca, os produtos carregam maior vínculo com a história, cultura e compromisso da conservação do planeta. Esse caminho leva ao acesso para nichos de mercado de produtos autênticos e sustentáveis, que têm valor agregado para a venda.
Essa estratégia do selo já vem sendo aplicada desde 2022 e passou a ganhar escala ao longo dos últimos três anos. Um dos patamares de avaliação dessa ferramenta envolveu as vendas no espaço Brasil Biomarket, na COP30, em Belém. Por conta da receptividade e interesse de potenciais parceiros comerciais, os produtos mostraram-se alinhados às tendências globais de consumo consciente. Estar inserido na loja da Amazon envolve um outro patamar de atuação para favorecer vendas e representatividade dos pequenos negócios de Mato Grosso do Sul.
Negócios conquistando espaço
Biólogo de formação, Rodrigo Borghezan empreendeu junto com a esposa, Bruna Oliveira, que tem a mesma formação, ao notar como os pequenos produtores têm dificuldade para comercializar hortaliças, frutas e outras mercadorias. Ele trabalhou com agroecologia em escolas em 2018 até que teve uma virada de chave em 2022 e criou a empresa Cerrado em Pé.
“Comecei a trabalhar com agroecologia em 2018 e minha esposa estava trabalhando com o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) para reduzir conflito entre o tatu-canastra e apicultores. Em uma viagem com ela, percebi o tanto de pessoas que pediam o mel (dos apicultores do projeto). Passamos a comprar a mais do que pediam e consegui comercializar. Depois acrescentamos a castanha de baru, farinhas, guavira. Em 2022 que mudamos o modelo de negócio ao ter aprovado projeto no Startup Challenge, em uma parceria da Fiems e Fundect”, recorda Borghezan.
Com a evolução do negócio, o empreendedor instalou uma agroindústria na agência de inovação da UCDB. Um outro passo foi alterar o modelo de atuação do B2C para B2B. “Entrei no Made in Pantanal para me ajudar a ter mais visibilidade, é um selo que o consumidor olha e valoriza”, acrescenta o empreendedor, que abriu um coffee break para eventos, além de vender alimentos que podem ser consumidos in natura e também transformar-se em outros, como gin, charcutaria e goiaba. “Para 2026 queremos escalar nossa produção.”

Beatriz Corregaro, fundadora da Flor de Luz Biojoias, deixou a fisioterapia para empreender na economia criativa.

Quem também se adaptou e mudou de área foi a fisioterapeuta Beatriz Corregaro. Ela entendeu que precisava criar algo novo no patamar que estava em sua profissão. Navegando pela internet, encontrou um curso de biojóias, decidiu arriscar e coincidiu que a professora dela tinha formação em biologia botânica. Depois de fazer o curso e passar a produzir algumas peças, Beatriz foi elogiada pelo que tinha produzido e dali nasceu uma oportunidade que se transformou na Flor de Luz Biojoias.
“Com 20 dias deixei algumas peças prontas e minha professora comentou que era um trabalho que demoravam seis meses para ser feito. Isso também estreitou minha amizade com essa professora. Acabei indo para uma feira de economia criativa e depois disso nunca parei. Como fisioterapeuta, eu já trabalhava com as mãos, só não era com artesanato. Agora em 2025 eu fechei meu consultório para só trabalhar com minha loja”, conta Beatriz.
A empresária está, agora, construindo conhecimento para alcançar novos horizontes. “Nossa flora é muito vasta, testo diferentes técnicas de desidratação, busco flores da temporada, procuro usar a criatividade e escuto muito os meus clientes. Como tenho o selo Made in Pantanal, recebi um reconhecimento e em 2026 meu projeto é começar a exportar”, revela.
Com a responsabilidade de prosseguir trabalho iniciado pela mãe, outra empresária do estado também está no caminho de buscar novos mercados. Beatriz Mattos acompanhou a mãe dela no processo de transformar o barbatimão em uma solução acessível para cuidado das mulheres. Por ser uma planta medicinal, essa matéria-prima tem propriedades cicatrizantes e adstringentes e é encontrada no Cerrado e em partes do Pantanal, como é o caso de Aquidauana, município que está em território de transição dos biomas.
“Quando tive a oportunidade de receber a empresa, queria transformar em algo maior. Pensamos sempre na saúde, temos os produtos para as pessoas e lançamos a linha veterinária. Quero em 2026 valorizar mais ainda a sustentabilidade, a maioria da nossa matéria-prima é biodegradável, então pensamos também na embalagem, para que seja sustentável”, defende a proprietária da Ybá, que tem a linha de cosméticos e pet.
Beatriz Mattos comanda a Ybá ao lado do legado da mãe, unindo barbatimão em soluções para humanos e pets. Em 2026, a marca com selo Made in Pantanal projeta expansão para novos mercados.
Beatriz Mattos tem o selo Made in Pantanal, levou produtos para a COP30 e aposta que as plataformas de marketplace garantem a estratégia de aumentar a visibilidade de sua fábrica regional para novos mercados. “Elas têm um alcance grande, que como Ybá sozinha a gente não teria a mesma capacidade. Para 2026 vamos ter um foco maior na linha veterinária, ajudar a melhorar a vida de pets, e vamos repaginar a nossa linha de produtos para as pessoas, para que ela seja ainda mais acessível.”
Para conhecer mais sobre a plataforma Made in Pantanal, acesse madeinpantanal.sebrae.com.br. Para aproveitar oportunidades de negócio e conhecer outras histórias inspiradoras, acesse ms.sebrae.com.br ou ligue para o número 0800 570 0800.


