(*) Por: Alírio Villasanti
O ano que se inicia apresenta grandes desafios, mas esperamos que também seja marcado por importantes vitórias, capazes de proporcionar maior segurança à população. Embora a maioria dos índices criminais de Mato Grosso do Sul esteja abaixo da média nacional, ainda enfrentamos situações que exigem atenção e ações mais efetivas.
Entre os principais problemas estão as áreas urbanas degradadas, sobretudo em razão da presença de pessoas em situação de rua e dependentes químicos, sem que haja soluções concretas e estruturadas. Soma-se a isso a onda de furtos, especialmente em residências; a elevada incidência de crimes transfronteiriços na região de fronteira, acompanhada do aumento dos homicídios; os feminicídios, que continuam a nos alarmar apesar dos esforços e da mobilização dos órgãos públicos; o alto número de infrações de trânsito; e a recente onda de ataques a mulheres que praticam atividades esportivas em áreas públicas, muitas vezes decorrente da incapacidade em se manter esses espaços adequadamente iluminados, monitorados e seguros.
No cenário nacional, enfrentamos ainda desafios estruturais, como a famigerada audiência de custódia, que contribui para a sensação de impunidade e para a elevada reincidência criminal; interpretações excessivamente benevolentes da legislação penal; a corrupção sistêmica que atinge importantes segmentos do poder estatal; e, como consequência, o fortalecimento das facções criminosas, entre outros fatores relevantes.
Diante desse contexto, é fundamental investir em conectividade, respeitando os pilares estratégicos institucionais das corporações de segurança. As forças policiais precisam desenvolver a capacidade de identificar novas tendências e inovações, ressignificando-se constantemente para acompanhar as transformações sociais e tecnológicas.
O cuidado com o ecossistema também deve ser prioridade, especialmente em um estado que abriga o Pantanal, reconhecido como patrimônio natural da humanidade. Segurança pública e preservação ambiental devem caminhar juntas, de forma integrada e sustentável.
Nesse processo de aprimoramento, compreender o cidadão e incorporar o DNA da inovação no atendimento às novas demandas sociais exige, necessariamente, a participação ativa da população. Essa participação deve ocorrer por meio de segmentos organizados da sociedade, como os Conselhos Comunitários de Segurança e entidades representativas, a exemplo do Rotary, Lions e Maçonaria. Essa aproximação fortalece a interação entre Estado e sociedade, amplia a cooperação e potencializa o sentimento de pertencimento, elemento essencial para a construção de uma segurança pública mais eficaz e cidadã.



