Equipamentos superdimensionados vindos da China cruzaram o oceano e enfrentaram uma das operações logísticas mais complexas do país para impulsionar o avanço do Projeto Sucuriu, megafábrica de celulose da Arauco em Inocência, com tecnologia e coordenação da Valmet
Peças gigantes que cruzaram oceanos e enfrentaram um dos mais complexos deslocamentos terrestres já realizados no Brasil já chegaram em terras sul-mato-grossenses. O Projeto Sucuriu, da multinacional chilena Arauco, que está sendo construída em Inocência, alcançou mais um marco logístico com a chegada dos equipamentos superdimensionados.
Após 52 dias de transporte marítimo, as cargas vindas da China iniciaram uma longa jornada por rodovias brasileiras até o canteiro de obras, que totalizou mil quilômetros de distância do local de desembarque.
AVANÇO NO CRONOGRAMA
A coordenadora do projeto, a multinacional Valmet comentou sobre os grandes projetos que a Arauco está realizando. A empresa informou que, com a chegada dos equipamentos, a fábrica avançou passos importantes.

“Concluímos a fabricação da primeira peneira de cavacos do projeto — o ‘filtro inteligente’ que garante que só os cavacos no tamanho ideal sigam para o digestor. Com capacidade de 1.200 toneladas por hora, estrutura 100% aparafusada e cerca de 6 toneladas mais leve que modelos similares do mercado, ela combina eficiência, robustez e maior segurança operacional. Ao todo, oito peneiras farão parte do sistema”, publicou a empresa em uma rede social.
Ainda de acordo com a Valmet, outro avanço importante foi a chegada dos dois picadores de biomassa no último mês. Com aproximadamente 35 toneladas cada e capacidade de 180 t/h, esses equipamentos serão responsáveis por preparar o combustível sólido que alimentará a caldeira, contribuindo para uma queima mais eficiente e sustentável.
“Cada equipamento entregue é um passo a mais na construção de um dos maiores projetos industriais do setor”, explicou a Valmet.
DESAFIO TÉCNICOS
Entre os itens descarregados estão os separadores de topo de digestor, considerados alguns dos maiores e mais complexos equipamentos previstos no cronograma da obra. Com 62 toneladas, 6,6 metros de altura (o equivalente a um prédio de dois andares) e aproximadamente 10 metros de comprimento, tamanho semelhante ao de um ônibus, as peças simbolizam a magnitude e os desafios técnicos envolvidos na logística do empreendimento.
Grande parte dos equipamentos utilizados na construção da nova fábrica de celulose é importada de 18 países, incluindo China, Alemanha, Finlândia, Índia e Japão. Isso exige cronogramas complexos de transporte marítimo antes da etapa terrestre até Inocência.
No transporte rodoviário, os desafios se multiplicam. As cargas percorreram rodovias estaduais e federais, passando por áreas urbanas e trechos de infraestrutura sensível, o que demanda autorizações especiais, escoltas e, em alguns casos, intervenções pontuais, como reforço de pontes e retirada temporária de sinalização.
Entre os equipamentos que mais chamaram a atenção está o Balão da Caldeira, com 28 metros de comprimento, seção de 3 por 3 metros e peso superior a 500 toneladas. Esse tipo de carga trafegou com escolta especial e velocidade controlada, que pode chegar a apenas 20 km/h em determinados trechos, evidenciando a complexidade da operação.
As rotas marítimas do projeto foram divididas em dois eixos estratégicos: o Porto de Santos, em São Paulo, por onde chegaram equipamentos de grandes dimensões como o Balão da Caldeira, e o Porto de Paranaguá, responsável por receber a maior parte das cargas especializadas destinadas ao empreendimento.
MARCO INDUSTRIAL
Mais do que um desafio logístico, o Projeto Sucuriu representa um marco industrial para o país. Com investimento superior a R$ 25 bilhões, a unidade será, quando concluída, a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas por ano e previsão de entrada em operação até o final de 2027. Durante a construção, o projeto deve gerar mais de 14 mil empregos e, na fase operacional, cerca de 6 mil postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando a economia regional.
Com cronogramas mensais de entrega que podem alcançar até 400 cargas entre janeiro e maio de 2026, a logística do Projeto Sucuriu seguirá testando os limites técnicos e operacionais de equipes nacionais e internacionais, enquanto o Brasil consolida sua posição de destaque no mercado global de celulose.
LOGÍSTICA
Cada etapa precisou de cuidados rigorosos com definição de rotas especiais, obtenção de licenças e apoio de órgãos públicos, como a Polícia Rodoviária Federal e o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
Coordenada pela finlandesa Valmet, responsável pelo fornecimento de tecnologia, automação e equipamentos industriais, a logística do Projeto Sucuriu está entre as maiores já realizadas no país. Ao longo de todo o cronograma da obra, a movimentação pode envolver mais de 60 mil carretas. Apenas na fase inicial, mais de 4 mil veículos já circulam pelas estradas, número que deve chegar a 12 mil até junho do deste ano.


