(*) Por Alírio Villasanti
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, pediu exoneração do cargo, alegando razões de caráter pessoal e familiar. Sinceramente, não deixará saudades. Durante cerca de dois anos à frente da pasta, nada de relevante foi aprovado ou efetivamente colocado em prática que tivesse impacto concreto na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Seu desempenho foi marcado pela incompetência e pelo despreparo para uma função de tamanha relevância, além de refletir um governo que claramente não prioriza a segurança pública, optando por uma gestão desconectada da realidade, sustentada apenas por retórica e bravatas.
Gestão pública exige pragmatismo, foco em resultados e compromisso real com o bem comum, especialmente em uma área tão sensível quanto a segurança pública. O desempenho pífio do ministro decorreu, sobretudo, do total desconhecimento de seu papel. Para agravar o cenário, escolheu como principal auxiliar outro integrante da área jurídica, partindo da equivocada premissa — ainda defendida por muitos — de que juristas são os mais indicados para comandar órgãos de segurança pública, tanto na esfera federal quanto na estadual.
Ledo engano. É preciso superar a falsa ideia de que juristas compreendem, por si só, a complexidade da segurança pública.
É importante ressaltar que os dois principais órgãos de segurança pública do país estão nos Estados: a Polícia Militar — a maior força policial do Brasil — e a Polícia Civil. Desconheço a participação de integrantes dessas corporações em cargos de relevância na estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O que é ainda mais grave: profissionais dessas instituições não são chamados de forma efetiva para discutir políticas, opinar, sugerir soluções ou compartilhar suas experiências práticas. Quando presentes, ocupam cargos meramente de assessoramento, sem qualquer poder decisório relevante.
Espero, sinceramente, que um policial estadual, com experiência real, conhecimento técnico, histórico profissional respeitável e atuação combativa, seja escolhido para liderar um Ministério da Segurança Pública — que espero, inclusive, venha a ser criado. Um ministério com recursos suficientes para estruturar adequadamente os órgãos federais e apoiar de forma concreta as ações nos Estados.
Que o novo ministro seja um articulador hábil, experiente e com credibilidade para conduzir as reformas legislativas necessárias junto ao Congresso Nacional, empoderando os profissionais de segurança pública. Policiais precisam exercer suas atividades com motivação, segurança jurídica e reconhecimento, atuando como os verdadeiros defensores da cidadania que são.


