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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Com forte demanda do campo, FCO teve recorde de financiamentos no Estado em 2025

O FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) injetou R$ 3,240 bilhões em Mato Grosso do Sul no ano passado. O volume é recorde e teve forte demanda do setor rural, que concentrou 75% dos recursos disponibilizados, bem acima da média verificada em anos anteriores quando a distribuição ficava em torno de 60% para o FCO Rural e 40% para a linha FCO Empresarial. O repasse inicial da Sudeco (Superintendência para o Desenvolvimento do Centro-Oeste) a Mato Grosso do Sul foi de R$ 2,7 bilhões, porém com o aumento da demanda o valor foi sendo reajustado a maior até atingir R$ 3,2 bilhões.

Na avaliação do secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Rogério Beretta, dois fatores podem ter contribuído para afastar o empresariado do financiamento: a taxa de juros, que acabou sendo maior devido ao aumento da Selic, e incertezas em relação à economia do País.

Força do campo

A maior parte dos recursos do FCO Rural foi direcionada a projetos de pequenos e médios empresários. Eles ficaram com 72% do volume aplicado nessa linha, enquanto os demais 28% foram distribuídos entre médios e grandes produtores rurais. Beretta destaca esse caráter do FCO, que prioriza o atendimento aos pequenos empresários do campo e da cidade. “A meta é aplicar no mínimo 50% em projetos de mini e pequenos empreendedores, e isso temos feito todos os anos”, salientou.

direcionada a projetos de pequenos e médios empresários. Eles ficaram com 72% do volume aplicado nessa linha, enquanto os demais 28% foram distribuídos entre médios e grandes produtores rurais. Beretta destaca esse caráter do FCO, que prioriza o atendimento aos pequenos empresários do campo e da cidade. “A meta é aplicar no mínimo 50% em projetos de mini e pequenos empreendedores, e isso temos feito todos os anos”, salientou.

Com relação à finalidade, destacam-se a correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%). “O que é muito importante para o Governo que tem a meta de transformar Mato Grosso do Sul em Estado Carbono Neutro até 2030”, pontuou Beretta. O combate à degradação do solo é uma das medidas prioritárias da Agropecuária visando aumentar o sequestro e a retenção de C02 e contribuir para descarbonizar as atividades.

Aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), implantação de sistemas de irrigação (10,59%) e a compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%) foram outras demandas relevantes que completam o top cinco do ranking. Beretta chama a atenção, entretanto, para os investimentos em fruticultura (8,25%) e construção de armazéns agrícolas (7%), duas áreas prioritárias do governo.

“O Estado tem buscado atrair investimentos em citricultura, o governador Eduardo Riedel entende que temos potencial para sermos o novo polo produtor de laranja e suco de laranja do país considerando os problemas que o maior produtor, São Paulo, tem enfrentado em suas lavouras. Esse aporte de recursos em fruticultura é a demonstração clara de que Mato Grosso do Sul caminha rapidamente para se consolidar como importante player desse setor”, completou.

Já a ampliação da capacidade de armazenamento é uma necessidade constante, na medida em que a safra agrícola tem aumentado ano após ano no Estado. Ainda há um déficit considerável, mesmo com a crescente instalação de novos complexos.

Na distribuição regional, o FCO Rural contemplou projetos de todos os municípios sul-mato-grossenses em 2025, com destaque para os municípios de Paranaíba (6,64%), Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Nesse quesito, Beretta ressalta o caráter descentralizado dos investimentos, que chega com força aos pequenos e médios municípios, levando desenvolvimento e melhoria da renda.

O papel da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) também foi citado pelo secretário executivo, “na elaboração de projetos para que os pequenos produtores rurais pudessem contrair os financiamentos”.

FCO Empresarial

Assim como a linha Rural, o FCO Empresarial beneficiou mais os mini e pequenos empresários (52% do total), enquanto os médio-grandes e grandes empresários ficaram com 10,6% do volume liberado.

Essa linha já apresenta um caráter mais centralizador no quesito da distribuição regional, tendo em vista que as grandes cidades concentram a maior parte das empresas. Dessa forma, Campo Grande foi destino de 40% dos recursos e Dourados, a maior cidade do interior, de outros 13%.

A principal finalidade do FCO Empresarial foi Capital de Giro (41,15%), compra de equipamentos (21,82%), construções (13,07%), reformas (8,03%) e aquisição de veículos (6,86%).

Para 2026, a Sudeco já estabeleceu orçamento de R$ 3,1 bilhões a Mato Grosso do Sul, divididos meio a meio entre as linhas FCO Rural e FCO Empresarial. Em relação ao volume disponibilizado no início do ano passado (R$ 2,7 bilhões), houve um incremento de 14% de um ano para o outro, o que demonstra a força da economia sul-mato-grossense. “No ano passado fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes de recursos porque o valor disponibilizado foi insuficiente para atender a demanda”, afirmou.

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