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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Emendas bancam mais da metade dos investimentos nas universidades federais de MS

As instituições de ensino superior entendem que o recurso é essencial para o orçamento anual

As universidades federais de Mato Grosso do Sul dependem cada vez mais de recursos articulados no Congresso Nacional para manter obras, comprar equipamentos e executar projetos estruturantes.

Na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), as emendas de bancada e individuais já representam 74% de todo o orçamento destinado a investimentos, segundo dados da própria instituição obtidos pela reportagem do Campo Grande News.

Para 2026, a universidade prevê R$ 4,5 milhões em investimentos, dos quais R$ 2,5 milhões devem vir de arrecadação própria. Ainda assim, a maior parte dos recursos para expansão e modernização tem origem em emendas parlamentares.

A instituição alerta que a dedução de emendas de custeio do LOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) obriga a reavaliar o planejamento anual, redefinir prioridades e buscar maior eficiência no uso dos recursos.

Mesmo diante das restrições, a UFMS afirma que a preservação das políticas de apoio aos estudantes, especialmente os em situação de vulnerabilidade, segue como diretriz central.

Na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), os números também revelam forte dependência das emendas, sobretudo para investimentos.

Levantamento da Pró-reitoria de Avaliação Institucional e Planejamento da UFGD mostra que, entre 2024 e 2025, a universidade contou com R$ 14,3 milhões de orçamento total para investimentos, sendo que R$ 7,14 milhões são provenientes de emendas parlamentares, o que equivale a cerca de 50% de todo o valor aplicado em obras e aquisição de bens permanentes no período.

O peso das emendas variou de um ano para outro. Em 2024, elas chegaram a financiar 75% do investimento (R$ 5 milhões de um total de R$ 6,63 milhões). Já em 2025, a participação caiu para 28% (R$ 2,14 milhões de R$ 7,67 milhões).

No custeio, que inclui contratos obrigatórios e despesas de funcionamento, a dependência é menor, mas ainda relevante.

Nos últimos dois anos (2024 e 2025), o orçamento total de custeio da UFGD foi de R$ 145,29 milhões, com valor anual de cerca de R$ 73 milhões. Desse orçamento total, os recursos via emendas somam R$ 5,5 milhões, o equivalente a 3,7% do total.

Segundo a UFGD, os recursos via emendas parlamentares são essenciais para cobrir despesas que não conseguiriam ser pagas apenas com os recursos repassados pelo MEC (Ministério da Educação) por meio da Lei Orçamentária Anual.

Cenário nacional

A realidade sul-mato-grossense reflete um movimento observado em todo o país. Com o orçamento das universidades federais em queda real desde 2014, as instituições passaram a depender cada vez mais das emendas parlamentares para manter atividades básicas e investimentos.

De acordo com análise do Observatório do Conhecimento, as 69 universidades federais brasileiras receberam R$ 571 milhões em emendas em 2025, valor que correspondeu a 7,2% da verba discricionária – aquela destinada ao funcionamento das instituições.

Em 2014, esse montante era de R$ 148 milhões, equivalente a apenas 0,86% do orçamento da época. Em pouco mais de uma década, os repasses cresceram quatro vezes.

As emendas são propostas apresentadas por deputados e senadores para direcionar recursos federais a obras, serviços e políticas públicas específicas. Na prática, elas têm se tornado decisivas para capacidade de investimento das universidades.

Cortes para 2026

O recurso de emendas parlamentares tende a se tornar ainda mais frequente neste ano, já que as duas universidades federais de Mato Grosso do Sul terão, juntas, uma redução de R$ 11,4 milhões no orçamento, conforme dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual.

Na UFMS, de acordo com informações da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) o corte é de R$ 8,2 milhões, na UFGD a redução neste ano chega a R$ 3,2 milhões.

As reduções atingem inclusive áreas sensíveis, como a educação infantil. O levantamento da Andifes também mostra que a UFMS, que tinha previsão inicial de R$ 120 milhões, passará a contar com um orçamento menor. Já a UFGD, que estimava R$ 47,9 milhões, também sofrerá contenção significativa.

Com menos recursos garantidos no orçamento regular, a tendência é de que a dependência das emendas parlamentares do Congresso Nacional se intensifique ainda mais.

(*) Campo Grande News

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