O município teve 27 casos de feminicídio em 10 anos; em 2025, a cidade registrou apenas um crime de homicídio contra o gênero
Por: Nathália Santos
O início do ano já registra números preocupantes de violência doméstica em Três Lagoas, que contabiliza 51 casos nos primeiros dias do mês de janeiro. O cenário acompanha a realidade de outros municípios de Mato Grosso do Sul, onde os registros seguem elevados e reforçam o alerta para a persistência da violência contra a mulher no estado.
Em comparação com outras cidades, Campo Grande lidera o ranking, com 350 ocorrências neste início de ano, somando 7.806 casos ao longo de 2025. Na sequência aparecem Dourados, com 86 registros iniciais e 1.880 casos no acumulado do ano, e Corumbá, que soma 45 ocorrências no começo do ano e 955 em 2025.
Três Lagoas aparece entre os municípios com números expressivos, ao lado de Nova Andradina, que registrou 30 casos no início do ano (371 em 2025), Aquidauana, com 23 ocorrências (394 em 2025), e Sidrolândia, com 20 casos (319 no ano).
CRIMES DE FEMINICÍDIO

Além da violência doméstica, os dados mais graves envolvem os crimes de feminicídio. Em 2025, Mato Grosso do Sul já registrou 39 casos, sendo um deles em Três Lagoas. A série histórica do Monitor de Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mostra que, nos últimos 10 anos, o município contabilizou 27 feminicídios.
O ano mais letal para as mulheres em Três Lagoas foi 2017, quando seis crimes desse tipo foram registrados. Apenas em 2023 não houve ocorrência de feminicídio na cidade, um dado isolado dentro de um histórico marcado por altos índices de violência.
Os números reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento às vítimas e combate à violência doméstica, especialmente neste início de ano, período em que os registros voltam a chamar atenção das autoridades e da sociedade.
ÚNICO FEMINICÍDIO EM TRÊS LAGOAS EM 2025
A única vítima de feminicídio em Três Lagoas foi Solene Aparecida Ferreira Corrêa, de 46 anos, morta pela companheira em 21 de outubro de 2025. Naquele momento, MS registrava 31°C casos de feminicídios, que chegaram a 39 até o final do ano.
Segundo o relato da autora à polícia, a assassina e Solene mantinham um relacionamento conturbado e tinha medida protetiva que as impediam de se aproximar. Ainda assim, a vítima teria voltado a morar com a autora há cerca de um mês antes do crime.
A suspeita contou que chegou do trabalho, quando Solene teria pegado o celular e encontrado fotos dela com outra mulher, o que deu início à discussão.
Durante a briga, Solene pegou uma faca e ameaçou a autora, que alegou tentar contê-la segurando-a pelo pescoço. Após o confronto, percebeu que a companheira estava morta.
A suspeita foi levada à Delegacia da Mulher de Três Lagoas, onde permaneceu detida. Ela apresentava lesões aparentes, segundo o registro policial.


