Planta inédita em Três Lagoas transforma resíduos do tratamento de efluentes em combustível, reforçando a economia circular e a eficiência ambiental da empresa
A energia que move a Eldorado Brasil Celulose agora também nasce de onde antes havia descarte. A empresa deu um passo decisivo rumo à sustentabilidade ao iniciar a operação de sua Planta de Secagem de Lodo Biológico, considerada a mais nova matriz energética da companhia. O projeto, implantado na fábrica de Três Lagoas, consolida a estratégia de transformar resíduos em energia limpa, ampliando a eficiência ambiental e operacional da empresa.
SUSTENTABILIDADE
À frente desse avanço está um trabalho coletivo, mas quem explica os bastidores, desafios e conquistas é o Gerente Executivo Industrial de Engenharia da Eldorado, Franco Picinalli Pereira. Entrevistado pelo Perfil News, ele destaca que a iniciativa reforça um dos pilares fundamentais da companhia: a sustentabilidade integrada ao negócio.
“É um passo muito importante para a Eldorado, pois potencializa um dos nossos pilares, que é a sustentabilidade. A tecnologia que estamos usando para secar o lodo da estação de tratamento de efluentes ainda não é amplamente utilizada no Brasil, mas é muito comum no exterior. Estamos trazendo isso para o país”, afirma.
A planta, inaugurada em dezembro de 2025, tem capacidade para processar diariamente até 140 toneladas de lodo biológico úmido. O material é gerado no tratamento de efluentes industriais e, após passar por um processo de secagem com baixíssima umidade, deixa de ser um resíduo descartável para se tornar combustível utilizado na caldeira de força da fábrica.
PROJETO INÉDITO

Segundo Franco, o diferencial do projeto está justamente nessa integração. “A forma como a planta está secando o lodo, resultando em um produto com alto teor seco, é algo inédito. Depois, esse material é integrado à caldeira de força, onde passa a gerar energia. Ele se mistura à biomassa tradicional, resultando em um combustível com maior poder calorífico”, explica.
A tecnologia empregada é fornecida pelo grupo internacional ANDRITZ, com participação de equipes da Áustria, Holanda e França, além de um forte apoio técnico da ANDRITZ Brasil. Apesar da cooperação internacional, Franco faz questão de ressaltar que a essência do projeto é nacional. “Mesmo havendo algumas instalações semelhantes fora do país, o principal é que esse projeto é brasileiro e está em Três Lagoas, com soluções pensadas para e pela própria Eldorado.”
Confira no último bloco do telejornal a matéria sobre a nova matriz energética da Eldorado
IMPACTOS
Além do ganho energético, a iniciativa traz benefícios ambientais expressivos. A reutilização do lodo reduz drasticamente o volume de resíduos enviados a aterros industriais e elimina potenciais emissões atmosféricas e odores. Para isso, a planta foi projetada com sistemas completos de manuseio, aspiração de ar, condensação de gases e automação, garantindo um processo limpo, seguro e controlado.

“Tudo foi pensado da forma mais sustentável possível, para não termos impacto ambiental. Hoje, a energia gerada na caldeira de força atende a fábrica e seu excedente é exportado para a rede elétrica. Com a adição do lodo biológico seco, percebemos um grande potencial de geração de energia. Por ser um projeto recente, ainda estamos mensurando os dados sobre a geração de energia adicional, mas em breve teremos números concretos para apresentar”
O projeto também simboliza uma mudança de mentalidade dentro da indústria. Um material antes visto apenas como passivo ambiental passa a ser fonte de energia limpa, alinhada aos conceitos de economia circular que a Eldorado adota desde sua fundação.
INCENTIVO
Para Franco, o sucesso da Planta de Secagem de Lodo Biológico é resultado de um esforço coletivo. “Tivemos participação de todos os setores da fábrica. Contamos também com o apoio fundamental do nosso maior incentivador, o Diretor Industrial Carlos Monteiro, que acreditou na ideia desde o início. Foi um projeto grande, desafiador, mas entregue com sucesso, tanto em prazo quanto em qualidade”, destaca.
Com uma carreira construída em projetos e mais de 12 anos de atuação no setor de celulose, Franco vê na iniciativa um marco pessoal e profissional. “Minha equipe é muito jovem e extremamente engajada. Ver esse nível de comprometimento é o maior prêmio. Poucas vezes vi pessoas tão motivadas. A Eldorado é, sem dúvida, a melhor empresa em que já trabalhei”, afirma.
Ao transformar lodo biológico em energia, a Eldorado não apenas reduz impactos ambientais, mas reafirma seu protagonismo na busca por soluções inovadoras e sustentáveis. A nova matriz energética simboliza um futuro em que resíduos deixam de ser problema e passam a ser parte da solução.



