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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Aprendizado sobre foguetes impulsiona formação no IFMS

Participação em projetos e competições evidencia como a experimentação científica é um diferencial no ensino técnico integrado

Os estudantes que irão ingressar no IFMS em 2026 logo vão perceber que o ensino na instituição tem alguns diferenciais em relação a outras escolas. Verbos como experimentar, criar e inovar são muito comuns por aqui. Por isso, não se assuste se colegas de outra turma ou professores o convidarem a fabricar e soltar foguetes. E saiba que esse tipo de experimentação, além de ajudar no aprendizado de várias disciplinas, ainda rende medalhas em competições.

Em 2025, equipes dos campi Campo Grande, Corumbá, Naviraí e Três Lagoas destacaram-se como medalhistas na etapa nacional da Jornada de Foguetes, realizada nos meses de outubro e dezembro, em Barra do Piraí (RJ), como parte da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).

Durante esse tipo de competição, os estudantes montam os foguetes com garrafa pet, e o lançamento é feito com o uso de propelente, uma mistura de vinagre e bicarbonato de sódio, que reagem liberando gás carbônico. Em alta pressão, ele empurra o foguete para ser lançado a partir de uma base fixada no chão. A distância que o foguete alcança define a premiação. Ganham a medalha de ouro todas as equipes que conseguem atingir uma marca acima de determinado valor, calculado por meio de uma média dos lançamentos, algo em torno de 220 metros nas últimas competições.

Mais do que prêmios, competições como essa reforçam o conhecimento em áreas como Física, Química e Matemática, como ressalta o professor de Física do Campus Naviraí, César Ferreira.

“Todo processo é físico, desde a parte da força que o foguete faz para ser lançado, até a questão de resistência do ar, aerodinâmica do foguete, que é muito importante”, destaca o docente.

Ao participarem da OBAFOG, os estudantes aprendem, por exemplo, que há vários tipos de ogivas (bico do foguete), que têm maior ou menor resistência ao ar, e quanto menor a resistência, melhor, porque o foguete consegue ir mais longe. Além disso, outros aspectos interferem como o próprio dimensionamento da garrafa. Uma garrafa muito procurada é a retornável de 1,5L, em vez da de 2L, porque a de 1,5L tem menor diâmetro e, por causa disso, tem menos resistência do ar.

“Os alunos conseguem aprender com os erros, que é, na verdade, como nós aprendemos qualquer coisa na vida. A gente faz, erra, vê onde errou para não errar de novo. Lá na competição acontece muito isso, você vai, faz o teste, o foguete não se comporta do jeito que você esperava, você já começa a criar hipóteses do que pode ter errado, o que pode ter acontecido para o foguete não ter tido o alcance que você esperava”, explica o professor.

O professor de Física do Campus Campo Grande, Dante Mello, há anos coordena equipes em competições na área. Para ele, a Olimpíada Brasileira de Foguetes é de grande auxílio na aprendizagem dos estudantes em disciplinas como Física, Química, Matemática, Robótica, Prototipagem, dentre outras, a depender da proposta do grupo.

“Isso porque é uma olimpíada inteiramente experimental, em que os foguetes precisam obter o maior alcance horizontal possível. Logo, as equipes precisam estudar quais fatores podem influenciar na aerodinâmica do foguete, na pressão obtida na base, na proporção ideal de reagentes para a maior aceleração inicial, além de aspectos de lançamento e prevenção de vazamentos”, detalha.

Aprendizado 

Os dois professores também destacam outros aspectos positivos para a formação dos estudantes que vão além do aprendizado em unidades curriculares como a Física.

“A Jornada de Foguetes, que acontece anualmente em Barra do Piraí, é uma grande oportunidade para a troca de experiências com equipes de todo o Brasil, além da aprendizagem de novos conceitos por meio das oficinas práticas, palestras, observatório astronômico, enfim, os estudantes retornam do evento com inúmeras ideias e vontade de alçarem voos cada vez maiores”, aponta Dante.

Já o docente César salienta a importância do trabalho em equipe, fator decisivo para que o Campus Naviraí conseguisse as premiações já na primeira vez participando da Jornada de Foguetes.

“Eram três equipes de Naviraí, cada uma com três alunos, todo mundo se engajou e se ajudou, isso foi extremamente proveitoso. Na primeira vez que o campus participou da competição nacional, acabamos conseguindo essa boa colocação, duas medalhas de ouro (273m e 282m) e uma de prata (alcance de 216m). Foi um desempenho muito bom e eles aprenderam muito nesta olímpiada”, avalia.

Uma das medalhistas de ouro é Raysa Neres dos Santos,18, que em 2025 concluiu o curso técnico integrado em Informática para a Internet. A jovem integrou a Equipe Padawans, juntamente com sua irmã Rayka Neres dos Santos e a colega Victoria de Almeida Silva.

“Foi uma experiência incrível participar da OBAFOG, não só pelas pessoas de diversas partes do Brasil que conhecemos, mas também pelo que aprendemos lá. Participamos de muitas oficinas sobre outros níveis de foguetes, conversamos sobre melhorias que poderíamos fazer no nosso foguete. Ficamos surpresos e muitos felizes com a medalha de ouro”.

Raysa conta que aprendeu bastante sobre Física e Química, com destaque para a reação do vinagre com bicarbonato. A estudante não sabia que ao esquentar o vinagre, seria possível um alcance maior do foguete.

“Encerrar minha jornada no IFMS com essa medalha é muito gratificante, é mostrar que o estudo público gratuito tem muita força. A maioria das escolas públicas que tinham lá na competição era Instituto Federal, então isso mostra o quanto os institutos fomentam a ciência”, celebra.

A estudante aponta a importância de toda a viagem ter sido custeada pela instituição. “O IFMS deu esse apoio pra gente, mostrando que nos apoia quando precisamos. Isso foi muito importante”.

Projetos 

Outras ações desenvolvidas no Campus Campo Grande, que envolvem fabricação e lançamento de foguetes, têm resultados que vão além dos prêmios em competições.

“Nós já realizamos também oficinas práticas em algumas escolas onde estudantes e professores participantes desenvolveram bases de lançamentos e foguetes de nível fundamental e médio”, explica Dante.

Além disso, alguns estudantes já desenvolveram projetos de pesquisa e de ensino em busca de melhorias nos lançamentos, como, por exemplo, o trabalho que foi apresentado e premiado com o 4º lugar na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec 2025), na categoria de Ciências Aeronáuticas e Físicas, realizada também em outubro.

Nesse projeto especificamente, os estudantes eram bolsistas e desenvolveram um circuito em Arduino para a detecção das vibrações dos foguetes com o objetivo de, a partir dos dados obtidos, melhorar a aerodinâmica dos projéteis.

O técnico em Eletrotécnica formado pelo Campus Campo Grande, Cauê Dias Rocha, 18, participou do projeto, que, na avaliação dele, ampliou o conhecimento em circuitos eletrônicos e de programação. 

“O que isso auxiliou na nossa formação foi que, além de estudarmos o básico de programação com Arduino e mexer em circuitos eletrônicos, conseguimos aprofundar nesses conceitos. Também tivemos que mexer com processamento de dados, que era um conceito um pouco mais aprofundado, e aí isso tudo corroborou para a nossa formação”, finaliza.

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