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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Exportadores de MS ampliam mercados e compensam queda nas vendas à China em janeiro

Os exportadores de Mato Grosso do Sul iniciaram 2026 diante de um cenário de retração no valor total embarcado, mas com sinais claros de diversificação de mercados e reposicionamento estratégico

Por: Nathalia Santos

Dados de janeiro divulgados pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) mostram que o Estado exportou US$ 636,9 milhões no mês, uma queda de 15,65% em relação a janeiro de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 755 milhões.

Apesar da retração global, o desempenho revela mudanças importantes no perfil dos destinos e nas rotas de escoamento, com destaque para o avanço das vendas aos Estados Unidos e a países do Oriente Médio, além do fortalecimento do Porto de Paranaguá como principal porta de saída das mercadorias sul-mato-grossenses.

China ainda lidera, mas perde espaço

Exportadores de MS ampliam mercados e compensam queda nas vendas à China em janeiro

A China permanece como principal destino das exportações de MS, absorvendo 30,6% do total em janeiro (US$ 194,8 milhões). No entanto, o valor representa uma queda expressiva de 37,84% frente ao mesmo período do ano passado, quando o país asiático concentrava 41,5% das vendas externas do Estado.

A retração chinesa ajuda a explicar o recuo no valor total exportado e impacta diretamente cadeias estratégicas como soja, celulose e proteínas animais, que tradicionalmente têm o mercado chinês como principal comprador.

Estados Unidos e Oriente Médio ganham relevância

Em contrapartida, os Estados Unidos ampliaram de forma consistente sua participação. As exportações para o mercado norte-americano cresceram 47,74% na comparação anual, atingindo US$ 53,8 milhões e elevando a participação de 4,82% para 8,45% do total exportado.

Também chama atenção o crescimento das vendas para países do Oriente Médio. O Irã registrou alta de 254,87%, enquanto o Iraque avançou 189,29%. A Turquia teve expansão de 75,61% e passou a ocupar a quarta posição entre os principais destinos, com US$ 28 milhões em compras.

A Bélgica apresentou o maior crescimento percentual, de 1.030%, ainda que sobre uma base menor, sinalizando novas oportunidades na Europa.

Para os exportadores, os números indicam uma estratégia de mitigação de riscos, reduzindo a dependência de um único mercado e ampliando a presença em regiões com demanda crescente por alimentos e commodities.

Logística: Paranaguá avança e Santos recua

Exportadores de MS ampliam mercados e compensam queda nas vendas à China em janeiro
AS exportações através do Porto de Paranaguá cresceram 40,84%, alcançando US$ 231,5 milhões e elevando sua participação para 36,32% (Foto: Assessoria de Comunicação)

O redesenho dos fluxos comerciais também se reflete na logística. O Porto de Santos segue como principal corredor de exportação, respondendo por 46,39% do valor embarcado (US$ 295,4 milhões), mas registrou queda de 33,84% em relação a janeiro de 2025.

Já o Porto de Paranaguá ganhou protagonismo. As exportações por esse terminal cresceram 40,84%, alcançando US$ 231,5 milhões e elevando sua participação para 36,32%. O movimento sugere busca por alternativas logísticas mais competitivas ou estratégicas diante das oscilações de mercado.

Outros destaques incluem o Porto do Rio de Janeiro, com crescimento de 242,83%, e o terminal de Itajaí, com alta de 64,9%. Jaguará, que aparece entre as principais vias de escoamento, também registrou forte variação positiva, indicando novas rotas sendo consolidadas.

Volume recua menos que valor

Exportadores de MS ampliam mercados e compensam queda nas vendas à China em janeiro

Embora o valor exportado tenha caído 15,65%, o volume embarcado recuou apenas 0,84%, passando de 1,712 milhão para 1,698 milhão de toneladas. A diferença entre as duas variações indica impacto de preços internacionais mais baixos, e não necessariamente redução significativa na produção.

Para os exportadores de Mato Grosso do Sul, o cenário de janeiro reforça dois movimentos: de um lado, os efeitos da desaceleração nas compras chinesas; de outro, a capacidade do setor produtivo de reagir rapidamente, abrindo e consolidando novos mercados.

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