O empreendimento deverá consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano e operar com sistema de cogeração elétrica a partir de biomassa e subprodutos industriais
A sexta fábrica de celulose de Mato Grosso do Sul, em Bataguassu, acelera planos de expansão no Brasil com fábrica de R$ 25 bilhões no Estado. O novo projeto está em fase de estruturação e já obteve licença prévia ambiental em Mato Grosso do Sul. A instalação está prevista para região às margens da BR-267.
A empresa pretende investir US$ 4 bilhões na unidade em MS. A unidade terá capacidade produtiva de 2,8 milhões de toneladas de celulose, em uma área localizada a 15 quilômetros do perímetro urbano da cidade. A perspectiva é de gerar 10 mil empregos nas obras e 3 mil na operação.
IMPACTOS

Mesmo antes de iniciar a construção da fábrica, a cidade já sentiu o impacto econômico da construção da Bracell. Bataguassu é cidade vizinha de Três Lagoas e também faz fronteira com o Estado de São Paulo.
Ao lado do Estado de São Paulo, Bataguassu está logisticamente no ‘campo do negócio’. Com a alta demanda, acaba faltando mão de obra. Algo que já aconteceu em todos os municípios que possuem fábricas de celulose e o que está acontecendo em Inocência e vai acontecer em Bataguassu.
O empreendimento deverá consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano e operar com sistema de cogeração elétrica a partir de biomassa e subprodutos industriais. A viabilidade do projeto está diretamente ligada à infraestrutura energética.
ENERGIA
Para iniciar a operação, a Bracell precisará de aproximadamente 66 megawatts (MW) de fornecimento externo. Após estabilização, a fábrica deverá gerar até 400 MW, com possibilidade de injetar cerca de 200 MW excedentes na rede nacional.
Autoridades estaduais afirmaram que o Operador Nacional do Sistema (ONS) garantiu oferta de energia “na porta da fábrica” a partir de 2029, mas a ampliação da rede de transmissão é considerada necessária para absorver a energia excedente.
O Estado negocia novos leilões de transmissão para antecipar a disponibilidade da malha elétrica. Segundo a companhia, a planta opera sem uso de combustível fóssil. A energia é gerada a partir de subprodutos do processo industrial, especialmente lignina e biomassa.
A capacidade instalada varia entre 409 MW e 420 MW, com excedente entre 150 MW e 180 MW, exportado ao Sistema Interligado Nacional. Esse volume seria suficiente para atender cerca de 750 mil residências, segundo estimativas da empresa.
PROJETO
A fábrica irá abrigar ainda a maior caldeira de recuperação em operação no mundo, com capacidade de queimar 13 mil toneladas de sólidos secos por dia e produzir 2 mil toneladas de vapor por hora.
A estrutura inclui chaminé de 144 metros de altura, 68 quilômetros de tubulações até o Rio Tietê e subestação conectada ao SIN em 440 kV.
A empresa informa consumo médio de 18 metros cúbicos de água por tonelada de celulose produzida, com consumo líquido estimado de 0,3 m³, após reuso e devolução tratada. Afirma ainda, segundo a Times Brasil, recuperar 97% dos produtos químicos utilizados no processo produtivo.
Além da celulose, a companhia investiu R$ 2,5 bilhões em nova linha de papel tissue – papéis de uso sanitário e doméstico, com capacidade de 240 mil toneladas por ano. Parte da produção segue por rodovia até terminal intermodal em Pederneiras e depois ao Porto de Santos.
A empresa afirma ter investido R$ 400 milhões em estrutura portuária e exportado mais de 8 milhões de toneladas desde 2020. Também iniciou uso de caminhões elétricos abastecidos com energia da própria fábrica, com redução estimada de 132 mil quilos de CO₂ por ano.
Se o projeto de até R$ 25 bilhões se concretizar, a nova fábrica no Mato Grosso do Sul consolidará a Bracell como um dos maiores vetores recentes de investimento industrial no país. A expansão no Centro-Oeste representa aumento de capacidade e consolidação de um corredor industrial que integra floresta, bioenergia, infraestrutura e exportação em larga escala.
VALE DA CELULOSE
Inocência, que está sendo a ‘casa’ da construção da Arauco, tinha pouco mais de 8 mil moradores e, no pico da construção da fábrica, a indústria precisa de pelo menos 14 mil funcionários. Ou seja, ultrapassa a quantidade da população. Bataguassu também vai precisar de uma demanda parecida. E se estiver faltando, já imaginou quando as duas estiverem em processo de construção? Muitas vezes, a empresa precisa se deslocar para outras cidades em busca de pessoas que queiram trabalhar.
Com o crescimento, vieram e continuam vindo as oportunidades de emprego. Hoje em dia, só não trabalha quem não quer na região. Diariamente, vagas para trabalho são disponibilizadas para a população que deseja entrar no mercado de trabalho.
Restaurantes, hotéis, lavanderias, bares e vários outros comércios se instalaram nos municípios. Com isso, os empresários precisaram de mais mão de obra e as vagas de emprego foram aumentando.

Além de todo o comércio, as fábricas de celulose são as que mais empregam, mas assim como aconteceu em Três Lagoas e em Ribas do Rio Pardo, Inocência e agora em Bataguassu, também estão enfrentando um obstáculo: a falta de mão de obra.
Apesar de milhares de pessoas estarem buscando a região em busca de trabalho, a demanda é grande e as empresas sempre estão buscando melhorar e aperfeiçoar os seus funcionários.
Logo com o anúncio da instalação da fábrica, muitas pessoas já começaram a procurar a cidade de Bataguassu em busca de melhores condições de vida. Imóveis estão todos alugados, outros estão sendo construídos e mesmo assim, por falta de moradia, os novos moradores buscam municípios próximos.
CAPITAL DA CELULOSE
MS já tem reconhecimento nacional como o “Vale da Celulose”, tendo 24% da produção nacional. Assim, o Estado já dispõe da segunda maior área cultivada de eucalipto e é o primeiro na produção de madeira em tora para papel e celulose. Mato Grosso do Sul também aparece como vice-líder em área plantada com árvores, ficando atrás apenas de Minas Gerais.
Mato Grosso do Sul é uma potência mundial da celulose. Três Lagoas é a pioneira no setor, com duas fábricas, sendo uma Suzano e uma Eldorado. Ano passado, Ribas do Rio Pardo foi contemplada com uma Suzano que já está operando. Uma Arauco está sendo construída em Inocência e, em breve, obras da Bracell devem começar em Bataguassu.
Para atender às demandas de uma indústria, comércios são ampliados, além de outros megaempreendimentos que acabam sendo instalados nas cidades. Assim, como Três Lagoas viu o desenvolvimento passando diante dos olhos, o mesmo aconteceu em Ribas do Rio Pardo, está acontecendo em Inocência e em breve, Bataguassu que começou a sentir ‘gostinho do progresso’.



