Estudo de 2024 aponta que esses empreendimentos podem gerar até 24 mil empregos diretos e indiretos, reforçando o papel estratégico do estado na economia florestal brasileira
Por: Nathália Santos
O Brasil encerrou 2024 com 8,1 milhões de hectares plantados com eucalipto, consolidando a espécie como a principal cultura florestal do país, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). O crescimento recente tem endereço certo: Mato Grosso do Sul, hoje o principal eixo de expansão da silvicultura nacional.
A região Sudeste concentra 43% das plantações (cerca de 3,5 milhões de hectares), seguida pelo Centro-Oeste, com 22%. No ranking estadual, Minas Gerais permanece na liderança, com 2,2 milhões de hectares (27% do total), reflexo da tradição na produção de carvão vegetal e celulose.

Mas é o Mato Grosso do Sul que mais chama atenção. O estado já soma 1,5 milhão de hectares (19% da área nacional) e respondeu por 80% dos 234 mil novos hectares plantados em 2024. O avanço é impulsionado por uma nova onda de investimentos industriais que vem consolidando o chamado “Vale da Celulose”.
Entre os principais projetos estão:
– Projeto Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo;
– Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência;
– Nova fábrica da Bracell, em Bataguassu;
– Expansão da unidade da Eldorado Brasil, em Três Lagoas.
Estudo de 2024 aponta que esses empreendimentos podem gerar até 24 mil empregos diretos e indiretos, reforçando o papel estratégico do estado na economia florestal brasileira.
Enquanto isso, São Paulo mantém posição estratégica como um dos principais produtores, com crescimento orgânico da área plantada no último ano.
Pinus segue concentrado no Sul
Os plantios de pinus totalizaram 1,9 milhão de hectares em 2024, com leve retração de 2%, especialmente no Paraná.
Diferentemente do eucalipto, 89% das áreas estão concentradas na região Sul (1,69 milhão de hectares), favorecida por condições edafoclimáticas ideais.
Fora do Sul, São Paulo abriga os maiores plantios da espécie, com 154,2 mil hectares.
Outras espécies ganham espaço
Além de eucalipto e pinus, cerca de 500 mil hectares são destinados a outras espécies florestais. Destaque para:
– Hevea brasiliensis (seringueira): 247 mil hectares, em crescimento;
– Tectona grandis (teca): segunda maior área, com leve redução;
– Acácia (acácia) e Araucaria angustifolia (araucária): ambas em expansão.
Estrutura fundiária e mercado
A maior parte da área plantada pertence à indústria de celulose e papel, seguida por produtores independentes.
Cerca de 74% das florestas estão em áreas próprias das indústrias, complementadas por arrendamentos, parcerias e contratos de fomento. Apenas 5% da madeira é adquirida via mercado spot, o que garante segurança no abastecimento e previsibilidade ao setor.
Os produtores independentes destinam madeira para múltiplos usos: secagem de grãos, geração de energia térmica, cerâmica e extração de óleos essenciais para cosméticos e medicamentos.
Produtividade entre as maiores do mundo

A produtividade média do eucalipto em 2024 foi estimada em 34,4 m³/ha.ano, com idade média de 6,8 anos, uma das maiores do mundo. O estado menos produtivo registrou 20 m³/ha.ano, enquanto o mais produtivo alcançou 41,3 m³/ha.ano.
No caso do pinus, a média nacional foi de 31,1 m³/ha.ano, com idade média de 16,2 anos.
Esse desempenho é resultado de décadas de investimento em pesquisa, mecanização, agricultura de precisão, melhoramento genético e Manejo Integrado de Pragas (MIP), dentro do conceito de Intensificação Sustentável, que alia ganhos de produtividade à geração de valor ambiental e social.
ILPF: Mato Grosso do Sul como referência nacional
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) somou 65,7 mil hectares em 2024, sendo 55% concentrados no Centro-Oeste, principalmente no Mato Grosso do Sul. O Sudeste aparece em seguida (18%), puxado por Minas Gerais.
Cerca de 73% da área total corresponde a sistemas de Integração Floresta-Pecuária (IFP). O Mato Grosso do Sul reúne mais de 27 mil hectares de IFP, consolidando-se como referência nacional na adoção da técnica.
A ILPF contribui para:
– Mitigação de gases de efeito estufa;
– Recuperação de áreas degradadas;
– Aumento da fertilidade do solo;
– Maior resiliência climática e produtividade integrada.
MS no centro da nova geografia florestal

Os dados da Ibá mostram uma mudança clara na geografia da silvicultura brasileira. Se Minas Gerais mantém a liderança histórica, é o Mato Grosso do Sul que hoje simboliza a nova fronteira de crescimento, combinando expansão industrial, geração de empregos, ganhos de produtividade e inovação em sistemas integrados.
Com novos projetos industriais em andamento e protagonismo na ILPF, o estado se consolida não apenas como grande produtor de madeira plantada, mas como hub estratégico da bioeconomia florestal brasileira.


