Conforme relato do denunciante, um vereador de Brasilândia publicou vídeos em redes sociais alegando suposta fraude e favorecimento no processo licitatório e essa situação provocada pelo parlamentar estaria prejudicando os universitários
Cerca de 90 universitários de Brasilândia enfrentam incertezas no transporte para instituições de ensino em Três Lagoas e Dracena após a suspensão do repasse municipal destinado ao custeio do serviço.
A situação envolve a Associação Universitária de Brasilândia (AUBRAS), responsável por organizar o transporte dos estudantes que frequentam faculdades como AEMS, Senai, Senac, Beta e o Instituto Federal, entre outras instituições nas duas cidades.
ENTENDA O CASO

De acordo com relato de um universitário, associado à AUBRAS, que faz o curso de Direito na AEMS, o impasse começou após o processo de chamamento público para contratação da empresa que prestaria o serviço de transporte em 2026.
Segundo ele, a empresa Regina Tur, que já realizava o transporte em anos anteriores, foi declarada vencedora do certame. No entanto, uma empresa concorrente que não teria atendido às exigências do edital entrou com impugnação administrativa no município, questionando a legalidade da contratação.
Com isso, o Município suspendeu o repasse financeiro destinado à associação até que a situação seja esclarecida.
“O nosso foco principal é ter um transporte de qualidade e confortável como sempre tivemos, sem qualquer preferência por empresa A ou B”, afirmou o estudante.
ACUSAÇÕES E ASSEMBLEIA
Ainda conforme o relato, um vereador do município publicou vídeos em redes sociais alegando suposta fraude e favorecimento no processo licitatório. Ele teria afirmado que a empresa concorrente apresentou proposta com valor menor para os alunos e que levaria documentos ao Ministério Público.

A repercussão gerou preocupação entre os estudantes, que cobraram esclarecimentos da diretoria da AUBRAS. Uma assembleia foi realizada no dia 1º de fevereiro, com a presença de associados, pais de alunos menores de idade e representantes da prefeitura.
Na reunião, segundo o estudante, a diretoria apresentou documentos e justificativas técnicas, afirmando que a empresa concorrente não cumpriu cláusulas previstas no edital, como a exigência de frota própria mínima de cinco ônibus e a regularidade da documentação apresentada.
“Foi explicado que não houve vício no processo. Mesmo com prorrogação de prazo, a empresa recorrente não teria atendido a todos os requisitos”, relatou.
IMPACTO DIRETO NOS ESTUDANTES
Enquanto a disputa administrativa segue em análise, os universitários estão sendo transportados por ônibus escolares cedidos provisoriamente pela prefeitura.
No início do semestre, o transporte incluía:
– Um ônibus pela manhã para o IF em Três Lagoas;
– Três ônibus noturnos para Três Lagoas;
– Um ônibus noturno para Dracena.
Com o passar das semanas, o número costuma ser reduzido para quatro veículos no total.
Apesar de garantirem o deslocamento, os ônibus escolares não oferecem o mesmo conforto do serviço anteriormente contratado. Muitos estudantes trabalham durante o dia inteiro e seguem viagem à noite, retornando por volta das 23h30 ou meia-noite.
“A adaptação tem sido difícil. Antes viajávamos com ônibus mais confortáveis. Trabalhamos o dia todo e voltamos muito tarde para casa”, relatou o associado. Ainda assim, ele pondera que, ao menos, o transporte está sendo mantido de forma emergencial.
FALTA DE CLAREZA AUMENTA INSATISFAÇÃO
Segundo o estudante, a principal revolta dos alunos não está apenas na suspensão do serviço regular, mas na ausência de explicações detalhadas por parte dos autores da impugnação.
“Foi alegado que houve ilegalidade e fraude, mas não foram apresentados publicamente os fundamentos dessas acusações. Enquanto isso, nós é que estamos sendo prejudicados”, afirmou.
Ele reforça que não possui vínculo com a diretoria da associação nem com qualquer empresa envolvida, e que seu único objetivo é expor a situação enfrentada pelos universitários.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O transporte universitário é essencial para que dezenas de jovens de Brasilândia possam cursar o ensino superior em cidades vizinhas. A definição do impasse jurídico deve determinar quando, e em que condições, o serviço regular poderá ser retomado.
Enquanto isso, os estudantes seguem na expectativa por uma solução definitiva que garanta segurança, regularidade e melhores condições de deslocamento.


