As mudanças climáticas têm provocado impactos diretos nas cadeias produtivas globais, e o setor de celulose está entre os mais sensíveis a esses efeitos. Eventos recentes em países asiáticos como a Indonésia e a China reacenderam o debate sobre custo versus previsibilidade na produção de matéria-prima florestal, tema abordado pelo secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck.

Segundo análise do secretário, fenômenos climáticos extremos, como excesso de chuvas, enchentes e alterações nos regimes de temperatura, afetam diretamente a produtividade florestal em países asiáticos, gerando instabilidade na oferta de fibras vegetais utilizadas na produção de celulose. Esse cenário impacta custos logísticos, contratos internacionais e a previsibilidade da indústria global de papel e derivados.
Instabilidade climática e impacto na matéria-prima
A Indonésia é uma das principais fornecedoras globais de celulose e papel, com forte presença no mercado asiático. No entanto, eventos climáticos severos têm comprometido áreas produtivas e rotas logísticas.
A China, grande compradora e também produtora, enfrenta desafios semelhantes, seja por eventos extremos, seja por restrições ambientais mais rígidas.
Esse contexto reforça um fator decisivo para investidores e indústrias: previsibilidade. Em um mercado altamente globalizado, a estabilidade climática se torna diferencial competitivo.
Brasil ganha espaço no cenário internacional
Nesse cenário, o Brasil se consolida como alternativa estratégica. O país reúne condições edafoclimáticas favoráveis, tecnologia florestal avançada e ciclos produtivos mais curtos, especialmente no cultivo de eucalipto, principal matéria-prima da celulose.
A combinação entre clima favorável, disponibilidade de terras e expertise técnica tem garantido ao Brasil ganhos consistentes de produtividade. O país já figura entre os maiores produtores e exportadores mundiais de celulose, abastecendo mercados na Ásia, Europa e América do Norte.
Mato Grosso do Sul: protagonista da nova fronteira da celulose
Dentro do território brasileiro, o Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque. O estado se transformou em um dos principais polos da indústria de base florestal, atraindo investimentos bilionários e ampliando sua capacidade produtiva nos últimos anos.
A região concentra grandes plantas industriais e extensas áreas de florestas plantadas, consolidando-se como elo fundamental da cadeia produtiva da celulose, da silvicultura à exportação. O ambiente institucional estável, políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e infraestrutura logística em expansão fortalecem ainda mais essa posição.
Na avaliação de Jaime Verruck, o diferencial competitivo sul-mato-grossense está justamente na previsibilidade: segurança jurídica, estabilidade climática relativa e planejamento de longo prazo. Em um mundo marcado por incertezas ambientais e geopolíticas, esses fatores se tornam ativos.
Além da relevância no comércio exterior, a celulose representa forte impacto socioeconômico. O setor movimenta empregos diretos e indiretos, fomenta inovação tecnológica e estimula cadeias correlatas, como transporte, energia e serviços especializados.
Com os efeitos climáticos pressionando mercados tradicionais na Ásia, o Brasil, e especialmente Mato Grosso do Sul, amplia seu protagonismo como fornecedor confiável e competitivo.


