Incentivos fiscais, carga tributária reduzida, custo de vida mais baixo e energia barata impulsionam nova onda migratória de estudantes, empresários e indústrias para o país vizinho
Nos últimos anos, o Paraguai deixou de ser visto apenas como um polo de comércio informal para se tornar um destino cada vez mais atrativo para brasileiros que buscam reduzir custos, pagar menos impostos e melhorar a qualidade de vida. A migração envolve desde estudantes universitários até empresários e grandes indústrias — incluindo empreendedores de Três Lagoas, que já colhem resultados positivos no país vizinho.
O movimento vem ganhando força especialmente após 2023, com novo pico em 2025, segundo dados oficiais do governo paraguaio. O principal motor é o sistema tributário simplificado, considerado um dos mais competitivos da América do Sul. No Paraguai, a carga de impostos para pessoas físicas e jurídicas é significativamente menor que no Brasil, além da inexistência de tributação sobre heranças e rendimentos vindos do exterior.
Custo de vida e educação mais acessíveis
Outro fator decisivo é o custo de vida. Estudos recentes indicam que viver no Paraguai pode ser até 21% mais barato do que no Brasil, considerando despesas como moradia, alimentação e serviços básicos.

A diferença pesa ainda mais no ensino superior. Faculdades paraguaias — especialmente na área de Medicina — chegam a cobrar mensalidades até seis vezes menores que instituições brasileiras. O fenômeno já havia sido destacado anteriormente pelo Perfil News: milhares de brasileiros atravessaram a fronteira para realizar o sonho do diploma médico, movimentando milhões de reais na região de fronteira com Mato Grosso do Sul.
Especialistas observam que muitos desses estudantes e profissionais mantêm vínculos econômicos no Brasil, mas optam por residir no Paraguai por estratégia financeira.
Empresários seguem o mesmo caminho

Em Três Lagoas, a tendência também é visível. A primeira onda de três-lagoenses rumo ao Paraguai foi puxada pelos estudantes de Medicina. Agora, a classe empresarial começa a repetir o movimento.
Empresários têm buscado o país vizinho para abrir filiais, reduzir custos operacionais e ampliar competitividade. Até a Lupo, um tradicional grupo têxtil do país prepara a construção de sua primeira unidade fora do Brasil, seguindo uma tendência já adotada por pelo menos 229 indústrias brasileiras nos últimos anos, incluindo gigantes como Guararapes e Buddemeyer.
Relatos de empresários que já atuam no Paraguai indicam que os resultados têm sido positivos, com redução significativa de despesas e maior previsibilidade tributária.
Energia barata e localização estratégica
Além dos incentivos fiscais, a energia elétrica mais barata — impulsionada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu — é outro grande atrativo. O custo reduzido favorece especialmente indústrias intensivas em consumo energético, transformando o Paraguai em base estratégica para produção e exportação.
A proximidade geográfica com o Brasil também pesa na decisão. A logística simplificada permite que muitos empresários mantenham operações nos dois países.
Migração em alta
A tendência aparece claramente nos números. Em fevereiro, durante ação do programa Migramóvil em Ciudad del Este, a Direção Nacional de Migração do Paraguai processou 1.118 pedidos de residência temporária e 93 permanentes — a maioria de brasileiros.
Segundo o órgão, grande parte dos solicitantes pretende trabalhar e investir no país. O volume real pode ser ainda maior, já que muitos estudantes brasileiros ainda não regularizaram a documentação por causa do período de férias acadêmicas.
O governo paraguaio não descarta ampliar o programa para outras cidades diante da crescente demanda.
Integração regional em curso
Apesar de ainda enfrentar desafios como pobreza e corrupção, o Paraguai vem se consolidando como alternativa econômica para brasileiros. O movimento migratório crescente indica não apenas decisões individuais, mas um processo mais amplo de integração econômica e produtiva entre os países sul-americanos.
Para muitos brasileiros — inclusive empresários de Três Lagoas — o país vizinho deixou de ser apenas um destino de compras e passou a representar uma oportunidade concreta de expansão, economia e qualidade de vida.


