Projetos serão contemplados com bolsas para professores e estudantes por meiodo Programa de Extensão para Sustentabilidade Territorial
O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) teve quatro projetos de extensão selecionados no 2º edital do Programa de Extensão para Sustentabilidade Territorial, promovido pela Itaipu Binacional. A iniciativa contempla instituições do Paraná e da região sul de Mato Grosso do Sul. Foram selecionadas 110 propostas entre 16 instituições públicas de ensino.
O programa é desenvolvido em parceria com o Itaipu Parquetec e busca apoiar projetos que fortaleçam a relação entre universidade e sociedade, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Para isso, estabelece parcerias com instituições de ensino superior específicas, fortalecendo a interação com as universidades, além de promover o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação, bem como apoiar a curricularização da extensão nessas instituições de ensino.
Participando pela segunda vez do edital da Itaipu, o IFMS teve propostas aprovadas nos campi Naviraí, Ponta Porã e Nova Andradina, onde serão desenvolvidos dois projetos de extensão.
As bolsas terão duração de um ano, com valores mensais de R$ 1.400 para professores-coordenadores e R$ 700 para estudantes de graduação.
Projetos do IFMS aprovados em 2026
- Sistema Agroflorestal Agroecológico para Agricultura Familiar
- Coordenador: Daniel Zimmermann Mesquita (Campus Naviraí)
- Fortalecimento da Cadeia Produtiva da Banana: Qualidade de Mudas e Boas Práticas para Agricultura Familiar
- Coordenadora: Nancy Farfan Carrasco (Campus Nova Andradina)
- Yuyos do Tereré: Plantas Medicinais e Identidade Cultural na Fronteira Brasil–Paraguai
- Coordenador: Marcio Roberto Rigotte (Campus Ponta Porã)
- Difusão do Controle Biológico de Pragas para Agricultores e Comunidades Escolares de Nova Andradina
- Coordenador: Luiz Henrique Costa Mota (Campus Nova Andradina)
Identidade Cultural
Entre as propostas aprovadas, o projeto ‘Yuyos do Tereré: Plantas Medicinais e Identidade Cultural na Fronteira Brasil–Paraguai’, destaca-se por valorizar o conhecimento tradicional da região fronteiriça de Ponta Porã.
Segundo o coordenador, o objetivo é resgatar, registrar e valorizar o uso tradicional das plantas medicinais conhecidas como ‘yuyos’, utilizadas no tereré na região de Sanga Puitã.
“Nós queremos identificar cientificamente essas espécies, organizar esse conhecimento e devolvê-lo à comunidade por meio de ações práticas, como a implantação de um viveiro e uma horta medicinal comunitária, além da produção de uma cartilha bilíngue. É um projeto que une saber popular e conhecimento acadêmico, fortalecendo a identidade cultural da região de fronteira”, destaca o professor Rigotte.
O projeto pretende contribuir em três frentes principais:
- valorização cultural, ao reconhecer o saber tradicional;
- saúde e segurança, ao orientar sobre o uso correto das plantas medicinais; e
- sustentabilidade, com a produção de mudas para reduzir a coleta indiscriminada e incentivar o cultivo doméstico e agroecológico.
Anda de acordo com Rigotte, a iniciativa proporciona experiência prática em áreas como Extensão Rural, Sistemática Vegetal e Fisiologia Vegetal, e desenvolve competências como trabalho em equipe, comunicação, pesquisa aplicada, identificação botânica e responsabilidade social.
Controle de Pragas
Do Campus Nova Andradina foi aprovado o projeto ‘Difusão do Controle Biológico de Pragas para Agricultores e Comunidades Escolares de Nova Andradina’, que busca levar conhecimento prático sobre o controle biológico de pragas para agricultores familiares e estudantes, mostrando que é possível produzir alimentos com menos uso de agrotóxicos e mais respeito ao meio ambiente.
Segundo o coordenador do projeto, professor Luiz Henrique Costa Mota, a proposta é ensinar, de forma acessível, como produzir e utilizar bioinsumos, fortalecendo uma agricultura mais sustentável, econômica e alinhada às demandas atuais da sociedade. Além disso, o projeto tem um papel educativo ao levar esse conhecimento para alunos do ensino fundamental, contribuindo para a formação de futuras gerações mais conscientes sobre práticas agrícolas sustentáveis.
“Para a comunidade, o projeto traz benefícios como a produção de alimentos mais saudáveis, com menor presença de resíduos químicos, a redução dos impactos ambientais causados pelo uso excessivo de agrotóxicos e o fortalecimento da agricultura familiar”, ressalta o professor.
Ao capacitar os produtores para produzirem seus próprios insumos, o projeto contribui ainda para a diminuição dos custos de produção e o aumento da autonomia dos agricultores, gerando impactos positivos na renda e na qualidade de vida das famílias atendidas.
“Para os estudantes envolvidos, o projeto representa uma oportunidade de aprendizado na prática. Eles participam de atividades em laboratório e no campo, vivenciando situações reais e desenvolvendo habilidades técnicas e sociais importantes para sua formação”, enfatiza Mota.
O docente ressalta ainda que os estudantes envolvidos com o projeto passam a compreender melhor a importância da sustentabilidade e do uso responsável dos recursos naturais.
“Os nossos estudantes atuam como agentes de disseminação do conhecimento ao contribuir com ações educativas voltadas a alunos do ensino fundamental, ajudando a despertar o interesse e a consciência ambiental nas futuras gerações. Dessa forma, tornam-se profissionais mais preparados e cidadãos mais conscientes, capazes de contribuir com soluções inovadoras para os desafios da agricultura”, finaliza o coordenador do projeto.
Os projetos serão desenvolvidos nos próprios municípios ao longo de 2026, envolvendo tanto a comunidade escolar como a comunidade externa, público-alvo das atividades de extensão.
Participação em 2025
Na edição anterior do programa, o IFMS teve nove projetos aprovados, que abrangeram temas como a agricultura familiar, a inovação tecnológica e a promoção do desenvolvimento sustentável na região sul de MS.
As iniciativas contemplaram áreas como piscicultura com tecnologias limpas, educação ambiental, prevenção da contaminação do lençol freático, análise socioambiental do Planalto da Bodoquena, manejo sustentável da mandioca, reaproveitamento de resíduos, hidroponia de baixo custo e automação na criação de peixes.



