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domingo, 1 de março de 2026

Cana e laranja disputam espaço no campo e redesenham o mapa produtivo de MS

A cana-de-açúcar teve crescimento de 7,3%; para a laranja, o Estado já tem 35 mil hectares prospectados

O campo sul-mato-grossense, tradicionalmente associado à pecuária de corte e às vastas lavouras de soja, também começa a “assistir” o avanço consistente de outras culturas.

A cana-de-açúcar, a laranja e o eucalipto disputam espaço, investimentos e protagonismo no agronegócio regional. São cadeias produtivas fortemente integradas a grandes indústrias, que encontraram em Mato Grosso do Sul um caminho para a prosperidade.

De acordo com dados do Siga-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul), a cana-de-açúcar teve crescimento de 7,3%, saindo de 916.266 hectares na safra 2023/2024 para 983.273 hectares na segunda safra 2024/2025.

A cadeia da cana-de-açúcar tem papel estratégico na economia de Mato Grosso do Sul, impulsionada pela demanda crescente por etanol, açúcar e bioenergia. O setor fortalece a matriz energética limpa e ajuda cada vez mais na meta do Governo do Estado em se tornar Carbono Neutro até 2030.

Mato Grosso do Sul avança na transição energética com a ampliação dos investimentos em usinas de biometano, produto produzido a partir da vinhaça, subproduto da cana-de-açúcar. O Estado já conta com duas unidades, uma em Ivinhema e outra em Nova Alvorada do Sul. A última teve investimento de cerca de R$ 350 milhões.

O avanço mais expressivo ocorreu na base florestal. O eucalipto expandiu 20,3% no período, saindo de 1,6 milhões de hectares para 1,9 milhões de hectares.

O Estado caminha para a sexta fábrica de celulose. Mato Grosso do Sul tem duas linhas de produção da Suzano em Três Lagoas, onde também existe uma unidade da Eldorado Brasil. Ribas do Rio Pardo tem outra fábrica da Suzano, a Arauco começou obras em Inocência, e a Bracell vai se instalar em Bataguassu.

Mato Grosso do Sul espera atingir 2,5 milhões de hectares plantados até 2028, um aumento de 40% na sua base florestal.

Em relação à laranja, segundo a Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Mato Grosso do Sul já conta com mais de 7 milhões de mudas implantadas e a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030.

Atualmente, o Estado conta com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados.

O processo de instalação de novas empresas já está iniciado em Campo Grande, Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, Paranaíba, Cassilândia, Aparecida do Taboado, Três Lagoas, Brasilândia, Bataguassu, Naviraí e Dois Irmãos do Buriti.

O município Cassilândia entra na mira dos grandes produtores de laranja, tendo grande potencial para se tornar o polo da citricultura em Mato Grosso do Sul.

O presidente do Sindicato Rural do município, Cilas Alberto de Souza, afirma que a mudança já pode ser percebida em toda a região. “O nosso município está tendo uma mudança de perfil totalmente radical em relação ao tradicional, que é a pecuária de corte e leite, e cedendo um espaço enorme para outras culturas que estão entrando a todo vapor em nossa região”, destacou.

Segundo ele, o avanço de culturas como eucalipto, cana-de-açúcar e laranja tem se fortalecido. “O sistema é muito forte (eucalipto/cana/laranja) e com isso o médio e o grande estão deixando de lado a pecuária e arrendando as suas terras, onde as ofertas por parte das culturas citadas são irrecusáveis”, explicou.

O cenário atual é de euforia total, com impacto direto na economia urbana. “É uma mudança radical tanto a nível do comércio na cidade, como também no fator renda para o nosso município e o emprego de um modo geral, principalmente na cultura da laranja”, afirmou. Ele ressalta ainda que outra atividade começa a disputar espaço na região: a seringueira.

Ele projeta que, em até três anos, o município terá uma matriz produtiva ainda mais diversificada, com destaque para laranja, seringueira, eucalipto, cana, soja e amendoim.

Mudança

O que se observa não é a substituição de culturas, mas mudança no perfil do investimento. A analista técnica do Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul), Lenise Castilho Monteiro, destaca a solidez da base produtiva do Estado.

“O que se observa com o crescimento de outros produtos, não é substituição, mas diversificação produtiva com coexistência entre as cadeias. Os indicadores apontam uma evolução gradual e sustentável do perfil produtivo”, destacou.

O Valor Bruto da Produção agropecuária estadual foi estimado em R$ 76,2 bilhões em dezembro de 2025, crescimento de 21,38% em relação ao ano anterior, com a agricultura representando 64,43% do total.

Ainda de acordo com sua análise, a expansão da área de eucalipto em um ano, aliada ao crescimento da cana e da soja, demonstra fortalecimento da agro industrialização e maior agregação de valor no campo.

“Mato Grosso do Sul mantém sua base produtiva sólida em soja, milho e pecuária bovina, ao mesmo tempo em que avança em uma transição produtiva sustentável, com diversificação, intensificação do uso da terra e maior competitividade no cenário nacional e internacional”, finalizou.

(*) Campo Grande News

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