Boletim da Conab aponta bom desenvolvimento das áreas já semeadas no estado
As condições climáticas registradas entre 1º e 24 de fevereiro foram, em geral, favoráveis ao desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra em grande parte do país. Os dados constam na edição de fevereiro do Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado nesta segunda-feira (2), que aponta predomínio de chuvas na região Norte e na faixa que se estende do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário foi marcado pela retomada das precipitações, fator determinante para o avanço do plantio do milho segunda safra. Após um período de irregularidade climática, as chuvas favoreceram a evolução da semeadura no estado, e as áreas já implantadas apresentam bom desenvolvimento, conforme o levantamento técnico.
A distribuição das chuvas ao longo de fevereiro influenciou diretamente o ritmo da semeadura do milho segunda safra nas principais regiões produtoras do país. Enquanto em Mato Grosso houve progressão acentuada do plantio, acompanhando o ritmo da colheita da soja, em Mato Grosso do Sul o avanço ocorreu com maior intensidade após a regularização das precipitações.
No estado sul-mato-grossense, o retorno das chuvas permitiu a retomada dos trabalhos no campo e garantiu condições adequadas para o estabelecimento inicial das lavouras já semeadas. O boletim destaca que o desenvolvimento dessas áreas é considerado satisfatório neste momento.
Por outro lado, em partes do Sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde foram registradas temperaturas máximas mais elevadas e menores volumes de chuva, pode ter ocorrido restrição hídrica pontual. Essa condição, no entanto, foi amenizada com a volta das precipitações no final do período analisado.
Apesar do cenário favorável ao milho, a soja apresenta um quadro mais desafiador no estado. A colheita segue atrasada em relação às últimas safras, reflexo do atraso no plantio ocorrido no início do ciclo. Além disso, as chuvas irregulares registradas ao longo do período também afetaram o potencial produtivo em algumas áreas.
O monitoramento espectral realizado pela Conab, por meio da análise do IV (Índice de Vegetação), indica que, de forma geral, as condições de desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra são favoráveis nas regiões acompanhadas. Em Mato Grosso do Sul, especialmente no Sudoeste, o comportamento do índice demonstra uma condição semelhante à observada em outras áreas do país, com evolução acima da média histórica durante momentos críticos do desenvolvimento da soja.
No entanto, nos períodos mais recentes, houve queda mais acentuada do IV no Sudoeste sul-mato-grossense. Segundo a análise técnica, esse movimento pode estar relacionado à irregularidade das chuvas e às altas temperaturas registradas em fevereiro, fatores que podem ter acelerado a maturação das lavouras e impactado o enchimento de grãos em algumas áreas.
As diferenças mais expressivas na evolução do índice de vegetação, quando comparadas a safras anteriores, são atribuídas ao impacto da restrição hídrica em ciclos passados. No caso de Mato Grosso do Sul, o efeito é ainda mais evidente no Sudoeste do estado, que enfrentou limitações hídricas em temporadas anteriores e agora apresenta recuperação mais consistente.
Além da soja e do milho, o boletim também traz informações sobre o algodão. Parte significativa dos talhões no país aproxima-se da fase de florescimento. O monitoramento fitossanitário foi intensificado, com reforço nas aplicações voltadas ao controle do bicudo-do-algodoeiro, diante do aparecimento precoce da praga nesta safra.
No panorama nacional, as chuvas mais volumosas concentraram-se na região Norte e na faixa que abrange o Amazonas, o Centro-Oeste e o Sudeste. Já na região Sul, os volumes foram menores, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a maior parte das lavouras de soja se encontrava em floração e enchimento de grãos, o que restringiu o desenvolvimento das plantas.
No Matopiba e em áreas do Semiárido nordestino, as precipitações, embora menos significativas, contribuíram para a semeadura e o desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra.
Para Mato Grosso do Sul, o balanço do período indica um cenário de recuperação das condições hídricas, com reflexos positivos sobre o milho segunda safra e avanço do desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, o atraso na soja e os efeitos pontuais da irregularidade climática exigem atenção dos produtores, especialmente nas regiões que registraram temperaturas mais elevadas e menor volume de chuvas ao longo de fevereiro.
Fonte: Campo Grande News (por Jhefferson Gamarra)




