Em Três Lagoas, motoristas são fundamentais para o transporte de eucalipto e celulose, principal atividade logística da região
O transporte rodoviário segue sendo um dos pilares da economia de Mato Grosso do Sul, especialmente em cidades industriais e ligadas ao agronegócio, como Três Lagoas. Apesar da forte presença da atividade logística na região, dados recentes mostram que a profissão de motorista de caminhão enfrenta desafios, principalmente em relação à remuneração e às condições de trabalho.
Levantamento nacional indica que a mediana do salário de admissão para motoristas de caminhão no Brasil varia entre R$ 2.000 e R$ 2.852 por mês, dependendo do estado. O Paraná apresenta o maior valor de contratação, seguido por São Paulo e Minas Gerais. Já estados das regiões Norte e Nordeste registram os menores salários.
Em Mato Grosso do Sul, o salário médio de admissão para motoristas gira em torno de R$ 2.300 mensais. A análise utiliza a mediana salarial, indicador que representa melhor o valor típico pago nas contratações, pois reduz o impacto de salários muito altos ou muito baixos na média geral.

A remuneração desses profissionais tem peso relevante na estrutura de custos do transporte rodoviário. Em rotas de curta distância, os gastos com mão de obra podem representar mais de 20% do custo total da operação. Os valores considerados no levantamento incluem apenas motoristas contratados diretamente por empresas, com carteira assinada (CLT), não contemplando trabalhadores autônomos ou terceirizados.
PROFISSÃO PREDOMINANTE NA REGIÃO
Em regiões com forte atividade industrial e florestal, como Três Lagoas, a profissão de motorista de caminhão está entre as mais empregadas. Grande parte desses trabalhadores atua no transporte de eucalipto e celulose, setores impulsionados pelas grandes indústrias de papel e celulose instaladas no município.
O transporte dessas cargas exige fluxo constante de caminhões entre áreas de plantio, fábricas e centros de distribuição, o que mantém elevada a demanda por profissionais habilitados para condução de veículos pesados.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) mostram que o estado possui atualmente 28.025 motoristas habilitados na categoria C, que permite a condução de caminhões. Desse total, 27.496 são homens e 529 são mulheres, evidenciando que a profissão ainda é predominantemente masculina. Somente em Três Lagoas são 1.112 motoristas com CNH categoria C.
SINAIS DE DESACELERAÇÃO
Apesar da importância do transporte rodoviário para a economia estadual, alguns indicadores apontam para um início de desaceleração na atividade logística em 2026.
Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) indicam que o volume de vendas de óleo diesel, um dos principais indicadores de atividade do transporte de cargas, registrou queda de 7,9% em Mato Grosso do Sul no acumulado até janeiro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No período, foram comercializados 151 mil metros cúbicos do combustível.
A redução no consumo de diesel costuma refletir diminuição temporária na circulação de caminhões e no volume de transporte de cargas. Mesmo assim, o acumulado dos últimos 12 meses ainda é elevado, com cerca de 2,1 milhões de metros cúbicos vendidos no estado, o que demonstra que a atividade segue em patamar relevante.
Outro indicador que reforça a cautela no setor é o licenciamento de caminhões no país. Em 2026, até fevereiro, foram registrados 13,1 mil novos licenciamentos, queda de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o total foi de 108,2 mil caminhões licenciados no Brasil.
A retração na compra de novos veículos pode indicar redução no investimento em renovação de frota por parte das empresas de transporte, influenciada por fatores como juros elevados, incertezas econômicas e custos operacionais.
DESAFIOS DA PROFISSÃO
Mesmo sendo essencial para a movimentação da economia, o setor enfrenta dificuldades para atrair novos profissionais.
Baixos salários, longas jornadas de trabalho, condições precárias em algumas rodovias e o tempo prolongado longe da família são fatores frequentemente apontados como desestímulo à profissão.
Em cidades como Três Lagoas, onde a logística ligada à indústria e ao agronegócio tem papel estratégico, a atividade de motorista de caminhão continua sendo fundamental.


