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quarta-feira, 11 de março de 2026

Programas criam selo de baixo carbono para produção de milho e sorgo

Iniciativas buscam certificar grãos produzidos com menor emissão de gases de efeito estufa

A busca por uma agricultura mais sustentável ganha um novo capítulo com o lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC). As iniciativas foram desenvolvidas pela Embrapa para estimular práticas produtivas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, aumentem a eficiência das lavouras.

A proposta é criar protocolos científicos de certificação capazes de identificar e valorizar grãos produzidos com menor intensidade de carbono. A partir desses critérios, milho e sorgo cultivados com práticas sustentáveis poderão receber selos específicos, agregando valor aos produtos e fortalecendo sua inserção em mercados cada vez mais atentos à origem ambiental dos alimentos.

Os programas também buscam oferecer uma resposta concreta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. A descarbonização da produção agrícola é considerada hoje um dos principais caminhos para garantir competitividade e sustentabilidade ao setor agropecuário.

Como funcionará a certificação

Os protocolos em desenvolvimento vão medir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa por tonelada de grão produzida. Esse cálculo considera todo o processo produtivo, incluindo uso de insumos, operações mecanizadas e o balanço de carbono no solo.

As medições seguirão o sistema internacional conhecido como MRV — Medição, Relato e Verificação, modelo utilizado em programas de certificação ambiental para garantir transparência e confiabilidade nos dados.

A certificação será voluntária e realizada por entidades independentes. O objetivo é criar um selo reconhecido no mercado, capaz de diferenciar produtos com menor pegada de carbono sem comprometer a produtividade das lavouras.

Duas etapas até chegar ao mercado

O desenvolvimento das marcas-conceito prevê duas fases principais:

  • Na primeira etapa, serão elaboradas as diretrizes técnicas que definirão os critérios de sustentabilidade. Esses parâmetros serão testados e validados ao longo de ciclos produtivos, permitindo avaliar emissões e eficiência ambiental em condições reais de cultivo.
  • Na segunda fase, com os protocolos consolidados, será iniciada a implementação dos selos de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas.

Diferencial competitivo para os grãos

Uma das inovações dos programas está no fato de que os selos serão focados no produto, e não na propriedade rural. Ou seja, o reconhecimento ambiental estará associado diretamente ao grão produzido e ao seu balanço de emissões de carbono.

Com isso, milho e sorgo certificados poderão ganhar espaço em cadeias produtivas que valorizam sustentabilidade, abrindo novas oportunidades comerciais e fortalecendo a imagem ambiental da produção agrícola.

Além disso, os programas reforçam uma tendência crescente no agronegócio: integrar ciência, inovação e mercado para construir sistemas produtivos mais resilientes e alinhados às exigências ambientais globais.

A expectativa é que, ao incentivar práticas agrícolas de menor impacto climático, as iniciativas contribuam para consolidar uma agricultura mais eficiente, competitiva e preparada para os desafios das próximas décadas.

(*) Campo Grande News

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