A oferta de diesel está em risco no Brasil e em Mato Grosso do Sul não é diferente. Sem o combustível, vários setores podem ser impactados, inclusive a celulose, um dos ‘carros-chefes’ da economia de Três Lagoas e região. A ameaça de desabastecimento em massa ocorre devido ao aumento do preço do produto no mercado internacional, que, como consequência da guerra no Irã, descolou do praticado no mercado interno pelas refinarias brasileiras e inviabilizou importações.
Em alguns Estados do país, o clima é de alerta total. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há relatos de cancelamento de entregas de combustível a produtores rurais desde a sexta-feira, dia 6. A Federação da Agricultura gaúcha (Farsul) e a Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz) expuseram o problema no fim de semana, em momento de forte demanda por diesel para o funcionamento de máquinas agrícolas e o transporte da produção.
Além da celulose, a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já provoca reflexos diretos no campo. A disparada do preço internacional do petróleo tem elevado o valor do diesel e gerado preocupação no agronegócio de Mato Grosso do Sul, especialmente no momento da colheita.
O Oriente Médio é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O diesel é produzido a partir do petróleo, com isso, qualquer problema que afete a produção ou o transporte desse recurso acaba influenciando no preço do combustível.
O barril do petróleo tipo Brent registrou forte alta em poucos dias. Em 1º de março, a cotação estava em US$ 80. Já no dia 9 de março, o valor saltou para US$ 119,46.
Todo esse dilema envolvendo a guerra do outro lado do mundo, atinge diretamente três-lagoenses e a região do Bolsão. Com três fábricas já em operação e outras em andamento, as indústrias de celulose de MS, com o aumento do diesel, sentirão o impacto direto, já que praticamente toda produção é feita pelas rodovias.
Com o conflito, entram na lista seguro e frete de navios, inflação e juros, cotação do dólar, o efeito em bolsas de valores, exportações e importações e, por fim, o momento em que isso tudo poderá esbarrar na ponta das cadeias, para o consumidor final. O Brasil é resiliente hoje, mas tudo dependerá do tempo de duração do conflito.

Para compreender a crise, é preciso analisar a balança comercial do país, a dependência logística rodoviária e a matriz macroeconômica. A Guerra no Irã afeta os preços internacionais de energia e atinge o agronegócio exportador, o setor de transportes de cargas e o custo de vida do consumidor.
A dependência do transporte rodoviário no Brasil torna o setor de logística sensível a choques no mercado de combustíveis provocados pela Guerra no Irã. Antes do início das hostilidades, o setor enfrenta pressões de custos operacionais.
Se o aumento no diesel se concretiza, o impacto na logística nacional é direto. A composição de custos do setor de transportes é pressionada, resultando no aumento das cobranças de frete.
BRASIL CAI NO RANKING DE MAIOR ECONOMIA DO MUNDO
O agronegócio é o motor da economia brasileira e a celulose está incluída no setor. O setor depende das exportações e é pressionado pela Guerra no Irã. Além da crise, o Brasil também apresenta queda e cai no ranking da maior economia do mundo.
Após encerrar o ano de 2024 como a 10ª maior economia do mundo, o Brasil perdeu uma posição no ranking e ficou na 11ª colocação no ranking dos países por Produto Interno Bruto (PIB). Os dados são da agência de risco Austing Rating. Se compararmos a 1980, o país caiu ao menos 5 posições.
É o terceiro ano seguido em que o Brasil perde colocações no ranking das maiores economias do mundo. O país havia retornado a figurar entre as 10 primeiras colocadas no ano de 2023, quando figurou na 9ª posição.
Em 2024, apesar do crescimento de 3,4%, o país foi ultrapassado pelo Canadá no ranking e passou para a 10ª posição. Agora, com a suplantação pela Rússia, deixa definitivamente o grupo das 10 maiores.


