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terça-feira, 17 de março de 2026

Celulose: o produto “invisível” que sustenta a economia de Mato Grosso do Sul e cadeias produtivas inteiras

Líder nas exportações do Estado, material essencial no cotidiano também movimenta bilhões

Por: Nathália Santos

Imagine acordar e perceber que itens comuns simplesmente desapareceram: o papel higiênico não está mais no banheiro, embalagens sumiram das prateleiras e até o filtro de café deixou de existir, assim como as fraudas descartáveis e até os livros que você guarda na sua estante.

O cenário parece improvável, mas serve como ponto de partida para entender o papel estratégico da celulose, especialmente em Mato Grosso do Sul. Mais do que presente no cotidiano, o material é hoje o principal produto da pauta de exportações do Estado.

Celulose: o produto “invisível” que sustenta a economia de Mato Grosso do Sul e cadeias produtivas inteiras

Dados divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) mostram que Mato Grosso do Sul alcançou, em 2025, um recorde histórico de US$ 10,7 bilhões em exportações.

Nesse total, a celulose lidera com cerca de 28,9% de participação, à frente de commodities tradicionais como a soja e a carne bovina. Na prática, isso significa que quase um terço de tudo o que o Estado vende ao exterior depende diretamente da produção de celulose.

IMPACTO IMEDIATO NA INDÚSTRIA

Celulose: o produto “invisível” que sustenta a economia de Mato Grosso do Sul e cadeias produtivas inteiras

Em um cenário hipotético de desaparecimento do material por 24 horas, os primeiros efeitos seriam percebidos dentro de casa, com a falta de itens básicos.

No entanto, os impactos mais significativos ocorreriam rapidamente na economia.

A paralisação da cadeia produtiva seria imediata. Mato Grosso do Sul consolidou-se como um dos principais polos de produção de celulose do país, com fábricas de grande escala voltadas majoritariamente à exportação.

Sem o produto, unidades industriais interromperiam operações, contratos internacionais seriam afetados e a circulação de mercadorias sofreria desaceleração.

LOGÍSTICA, EFEITO EM CADEIA E EXPORTAÇÕES

O impacto não se limitaria às indústrias, no caso específico de MS, Eldorado Brasil e a Suzano. A celulose movimenta rodovias, ferrovias e portos, integrando uma cadeia que envolve transporte, armazenamento e distribuição.

Sem esse fluxo, haveria comprometimento da logística, com reflexos em diversos setores da economia. O efeito seria em cadeia, atingindo atividades que dependem direta ou indiretamente do setor.

A relevância da celulose também se reflete no mercado internacional. O produto ocupa posição de destaque nas exportações sul-mato-grossenses para diversos países. Uma interrupção, ainda que temporária, poderia afetar o cumprimento de contratos, pressionar o saldo da balança comercial e comprometer a competitividade do Estado.

DO COTIDIANO À ECONOMIA

O exercício evidencia um contraste. No dia a dia, a celulose aparece principalmente em produtos simples e descartáveis. No entanto, sua relevância econômica é estrutural, sustentando cadeias produtivas, geração de empregos e receitas de exportação.

Mesmo em um contexto de crescente digitalização, a economia segue ancorada em bases físicas. Embalagens, transporte e processos industriais continuam dependentes desse tipo de matéria-prima.

Em reportagem anterior, o Perfil News mostrou que a celulose movimentou, inclusive a produção de papelão ondulado, que é hoje o principal insumo das embalagens utilizadas no e-commerce. Dados da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) indicam que a expedição de papelão ondulado no país tem registrado volumes elevados nos últimos anos, acompanhando o ritmo do varejo digital.

Em 2024, foram expedidos 4,2 bilhões de papelão ondulado, um aumento de 5% comparado com 2023, quando foram expedidos 4 bilhões de toneladas.

Os dados da Empapel ainda mostram que, na comparação mundial, o Brasil se encontra na sexta posição dos principais países produtores de papelão ondulado. O Brasil foi o país que mais avançou na

expedição entre 2024 e 2023, ao crescer 5,0%. Em seguida, os maiores crescimentos vieram da China (3,3%), Itália (3,0%) e Índia (2,5%).

A cadeia produtiva começa na floresta plantada, passa pela produção de celulose, segue para as fábricas de papel e chega às indústrias de embalagens. Empresas como a Klabin e a Suzano são protagonistas nesse processo, seja na produção de celulose, seja na fabricação de papéis voltados ao segmento de embalagens.

POLO MUNDIAL

Celulose: o produto “invisível” que sustenta a economia de Mato Grosso do Sul e cadeias produtivas inteiras
Unidade da Suzano de Ribas do Rio Pardo a maior do mundo em produção de celulose em linha única (Foto: Assessoria)

Vale lembrar que a Suzano consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais de produção de celulose. A empresa é hoje a maior produtora global de celulose de eucalipto, com capacidade instalada de aproximadamente 13,5 milhões de toneladas por ano no Brasil. Em 2024, registrou volume recorde de vendas, superior a 12 milhões de toneladas de celulose e papel.

No estado, as unidades de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo somam cerca de 5,8 milhões de toneladas anuais de capacidade instalada, o que coloca Mato Grosso do Sul como eixo central da estratégia industrial da companhia. A fábrica de Ribas do Rio Pardo, resultado do Projeto Cerrado, adicionou sozinha 2,55 milhões de toneladas à capacidade da empresa e é considerada uma das maiores linhas únicas de produção do mundo.

O movimento das embalagens de papelão também é influenciado pela substituição gradual do plástico por materiais de base renovável, impulsionada por metas ambientais e políticas de sustentabilidade adotadas por grandes varejistas e marketplaces.

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