De uma iniciativa pioneira nos anos 1920 ao protagonismo mundial, Três Lagoas lidera a nova era da bioeconomia no Brasil
O que começou como uma iniciativa empreendedora na década de 1920 transformou-se, um século depois, em um dos pilares da economia brasileira e referência global em bioeconomia. O Mato Grosso do Sul, com destaque para Três Lagoas, consolidou-se como o maior polo produtor de celulose do mundo, liderando uma revolução industrial baseada em recursos renováveis.
A trajetória do setor no Brasil remonta a 1924, quando o imigrante ucraniano Leon Feffer fundou a Leon Feffer & Cia, dando início a uma jornada que culminaria na criação da Suzano, hoje uma das maiores produtoras de celulose do planeta. Ao longo das décadas, a empresa foi pioneira no desenvolvimento da celulose de eucalipto, tecnologia que colocou o Brasil em posição de liderança global.
O EPICENTRO DA PRODUÇÃO MUNDIAL
Atualmente, o Mato Grosso do Sul abriga um dos maiores complexos industriais de celulose do mundo. Em Três Lagoas, operam duas linhas da Suzano e uma da Eldorado Brasil, enquanto o município de Ribas do Rio Pardo conta com uma das mais modernas fábricas do setor.
Juntas, essas unidades somam uma capacidade expressiva:

Suzano (Três Lagoas): 3,25 milhões de toneladas/ano

Eldorado Brasil (Três Lagoas): 1,8 milhão de toneladas/ano

Suzano (Ribas do Rio Pardo): 2,55 milhões de toneladas/ano
O resultado é uma produção anual de aproximadamente 7,6 milhões de toneladas de celulose, consolidando o estado como líder absoluto no Brasil.
EXPANSÃO ACELERADA E NOVOS INVESTIMENTOS
O protagonismo sul-mato-grossense deve se intensificar nos próximos anos. A multinacional chilena Arauco avança com o Projeto Sucuriú, em Inocência, que adicionará 3,5 milhões de toneladas/ano — a maior fábrica de celulose em linha única do mundo.
Com isso, a capacidade produtiva do estado saltará para 11,1 milhões de toneladas anuais, elevando ainda mais sua relevância no cenário internacional.
Outro projeto estratégico é o da Bracell, que prevê a instalação de uma unidade em Bataguassu com capacidade de 2,8 milhões de toneladas/ano de celulose kraft. Caso confirmado, o volume total produzido no estado poderá atingir 13,9 milhões de toneladas anuais.
Há ainda a possibilidade de expansão da Eldorado Brasil, com a construção de uma segunda linha industrial — movimento que pode consolidar definitivamente o Mato Grosso do Sul como o maior produtor mundial de celulose.
IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS

Além dos números expressivos, o avanço da indústria de celulose tem impulsionado o desenvolvimento regional. A construção e operação dessas plantas geram milhares de empregos diretos e indiretos, estimulam a economia local e promovem a qualificação da mão de obra.
Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência passaram por profundas transformações urbanas e econômicas, tornando-se polos industriais estratégicos.
UM CAMINHO SEM VOLTA
A consolidação do chamado “Vale da Celulose” representa mais do que crescimento econômico: simboliza uma mudança estrutural no modelo produtivo brasileiro, baseado na sustentabilidade e na inovação.

Com florestas plantadas, matriz energética majoritariamente renovável e crescente demanda global por biomateriais, o setor de base florestal posiciona o Brasil — e especialmente o Mato Grosso do Sul — como protagonista na transição para uma economia de baixo carbono.
Diante desse cenário, especialistas são unânimes: o avanço da celulose na região é um caminho sem volta, com potencial para redefinir o papel do Brasil na economia global nas próximas décadas.


