O Corredor Bioceânico “Desafios para o Mato Grosso do Sul” foi o tema da palestra do secretário da Semadesc Jaime Verruck no dia de hoje (20) durante o Simpósio Nacional de Policiamento Urbano, Ambiental e de Inteligência, no Senac Hub Academy, em Campo Grande. O evento da Polícia Militar de MS reuniu comandantes, especialistas e gestores das Polícias Militares de todo o país para debater inovação, integração e aperfeiçoamento das ações de segurança pública.
Durante a palestra o secretário presentou um panorama estratégico da infraestrutura logística e do potencial de integração do Mato Grosso do Sul aos mercados internacionais.
A apresentação destacou a importância das rodovias, hidrovias e ferrovias para o desenvolvimento econômico do Estado, com ênfase nos projetos em andamento e em estudo. Entre eles, está a concessão da hidrovia do Rio Paraguai, com extensão total de 600 km no tramo sul, incluindo o Canal do Tamengo, com investimentos estimados em R$ 74,3 milhões até o quinto ano e prazo de concessão de 15 anos, prorrogáveis por igual período. O objetivo é garantir uma navegação eficiente, segura e sustentável, com níveis adequados de profundidade tanto em períodos de estiagem quanto de cheia.
A hidrovia abrange áreas estratégicas, incluindo trechos de fronteira com Bolívia e Paraguai, fortalecendo a integração regional e ampliando a competitividade logística. No campo ferroviário e rodoviário, o Estado se posiciona como peça-chave na conexão com mercados internacionais, especialmente por meio da Rota Bioceânica.
A Rota Bioceânica também foi debatida no evento e se destaca como um corredor estratégico que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico, reduzindo em até 12 a 17 dias o tempo de transporte de mercadorias para mercados asiáticos. Atualmente, o trajeto até a China pode chegar a mais de 24 mil km, enquanto, com a nova rota, essa distância será reduzida para cerca de 18,6 mil km.
Entre as principais obras estruturantes está a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta (Paraguai), com 1.294 metros de extensão e investimento de US$ 93 milhões, financiados pela Itaipu Binacional. A obra já atingiu cerca de 90% de execução, com previsão de conclusão em agosto de 2026. Também estão em andamento as obras de acesso à ponte, incluindo o contorno rodoviário de Porto Murtinho e a pavimentação de trechos estratégicos no Paraguai, fundamentais para a consolidação do corredor.
O Corredor Bioceânico de Capricórnio foi apresentado aos participantes do simpósio como um projeto de integração entre quatro países — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — e oito estados subnacionais, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável, ampliar a conectividade e impulsionar o comércio internacional. O corredor conta com cerca de 3.900 km de estradas, cinco passagens de fronteira e acesso a importantes portos no Pacífico, como Antofagasta, Iquique e Tocopilla.
Verruck enfatizou que o plano diretor do corredor vai além da infraestrutura física, incluindo ações voltadas à facilitação do comércio, integração de processos transfronteiriços e desenvolvimento produtivo local. No Mato Grosso do Sul, as cadeias priorizadas incluem proteínas, soja, celulose e turismo. “Apesar do grande potencial, ainda existem desafios importantes, especialmente relacionados às passagens de fronteira, à infraestrutura logística e à necessidade de harmonização regulatória entre os países. Também foram apontadas lacunas em serviços logísticos, como armazenamento, transporte e apoio operacional”, relembrou o secretário.
Entre os desafios legais, Verruck destacou a criação do Documento de Transporte Eletrônico (DTE), a integração aduaneira, acordos fitossanitários, qualificação profissional de motoristas e melhorias na legislação e segurança viária. A governança internacional e a cooperação entre os países são fundamentais para o sucesso do corredor.
A adesão do Brasil à Convenção TIR, em fevereiro de 2026, foi destacada como um avanço importante para facilitar o transporte internacional de mercadorias, reduzindo custos e tempo nos processos aduaneiros.
Por fim, a apresentação reforçou que o Corredor Bioceânico ainda está em fase de consolidação e precisa evoluir para oferecer um nível de serviço homogêneo em toda sua extensão, garantindo eficiência logística e competitividade internacional ao Mato Grosso do Sul.
Rosana Siqueira, da Semadesc





