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domingo, 22 de março de 2026

Tragédia na MS-112 expõe risco diário enfrentado por trabalhadores em alojamentos à margem da rodovia

Falta de iluminação, sinalização e controle de velocidade intensifica perigo e gera revolta após morte por atropelamento

A morte do trabalhador José Lucindo Portela Soares, atropelado no início da noite da última sexta-feira na rodovia MS-112, nas proximidades do município de Inocência, reacendeu um alerta urgente sobre as condições precárias de segurança enfrentadas por trabalhadores alojados às margens da via.

O trecho onde ocorreu o acidente é conhecido pelo intenso fluxo de veículos, agravado pelas obras do Projeto Sucuriú — empreendimento que prevê a construção de uma das maiores plantas de celulose do mundo. Com o aumento significativo do tráfego entre Inocência e Três Lagoas, os riscos se tornaram ainda mais evidentes, especialmente para os trabalhadores que precisam atravessar a rodovia diariamente.

PERIGO CONSTANTE

Tragédia na MS-112 expõe risco diário enfrentado por trabalhadores em alojamentos à margem da rodovia

Sem iluminação adequada, sinalização visível ou redutores de velocidade, o local se transforma em um cenário de perigo constante, principalmente no período noturno. A ausência de faixas de pedestres, placas de advertência e proibição de ultrapassagens contribui para a insegurança, já tendo sido registrada uma série de acidentes na região.

A morte de José Lucindo gerou indignação entre trabalhadores, autoridades e a sociedade em geral. Diante da gravidade da situação, chegou a ser cogitada a realização de um protesto com bloqueio da rodovia. No entanto, a mobilização foi contida após a presença da Polícia Militar, que compareceu ao local com diversas viaturas e equipes, evitando a interdição da via.

INSEGURANÇA

Apesar disso, o sentimento de insegurança permanece. Trabalhadores relatam medo constante ao se deslocarem entre os alojamentos e seus locais de trabalho, especialmente durante a noite.

Em resposta à situação, a empresa Arauco divulgou uma nota reconhecendo a gravidade do ocorrido e informando que medidas já estavam sendo estudadas e deverão ser intensificadas para garantir maior segurança.

Segundo a empresa, um estudo técnico detalhado foi realizado por uma consultoria especializada, identificando pontos críticos ao longo da rodovia. A partir desse levantamento, foram definidas ações como a redução de velocidade em áreas de risco, instalação de dispositivos para controle de tráfego, proibição de ultrapassagens em trechos perigosos, criação de pontos seguros para travessia e reforço da sinalização.

MEDIDAS QUE SERÃO TOMADAS

Outra medida anunciada é o desenvolvimento de um projeto de ciclovia ligando a entrada da cidade aos alojamentos, com o objetivo de oferecer uma alternativa mais segura para deslocamento dos trabalhadores. O projeto já foi concluído e segue em análise pelos órgãos competentes.

Enquanto as melhorias não são implementadas, o apelo por mais segurança se intensifica. A tragédia que vitimou José Lucindo evidencia uma realidade preocupante: a infraestrutura atual da MS-112 não acompanha o crescimento do fluxo de veículos nem garante condições seguras para quem vive e trabalha às suas margens.

A cobrança agora é por ações rápidas e efetivas, antes que novas vidas sejam perdidas.

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