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segunda-feira, 23 de março de 2026

SES amplia teledermatologia e capacita profissionais de 20 municípios para diagnóstico precoce no SUS

Estratégia fortalece a Atenção Primária, reduz filas e agiliza identificação de casos de câncer de pele em MS

A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) realizou, nesta última quarta-feira (18), em Campo Grande, uma capacitação voltada à ampliação da teledermatologia no SUS (Sistema Único de Saúde), reunindo médicos, enfermeiros e gestores de 20 municípios do Estado. A iniciativa integra a política de fortalecimento da saúde digital e tem como objetivo qualificar o atendimento na APS (Atenção Primária à Saúde), ampliando o acesso com novos pontos de telediagnóstico em dermatologia.

Participaram da capacitação profissionais dos municípios de Paranhos, Dourados, Rio Negro, Itaquiraí, Maracaju, Sidrolândia, Ivinhema, Aral Moreira, Nioaque, Laguna Caarapã, Bodoquena, Guia Lopes da Laguna, Pedro Gomes, Rio Verde de MT, Bandeirantes, Japorã, Jaraguari, Ribas do Rio Pardo, Nova Alvorada do Sul e Novo Horizonte do Sul.

Participaram também da sensibilização profissionais dos municípios de Campo Grande, Cassilândia, Corumbá, Eldorado, Deodápolis, Itaporã, Ponta Porã, Coxim e Costa Rica, para melhor conhecer a ferramenta e otimizar o aproveitamento da oferta de teledermatologia.

Fortalecimento da saúde digital no SUS

Realizado no auditório da Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser, o evento apresentou o fluxo completo do telediagnóstico em dermatologia, desde a solicitação do exame até a emissão do laudo por especialistas, além de oferecer treinamento teórico e prático para os profissionais participantes.

Com a capacitação, todos os médicos e enfermeiros dos municípios convocados estão aptos a operar a ferramenta, podendo estabelecer o fluxo de atendimento tanto para demandas reguladas quanto espontâneas.

O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destacou que a iniciativa representa um avanço estratégico para o SUS no Estado. “Estamos investindo em inovação e tecnologia para fortalecer a Atenção Primária e garantir mais acesso e resolutividade à população. A teledermatologia é uma ferramenta que encurta distâncias, reduz filas e assegura que o paciente receba o cuidado certo, no tempo oportuno”, afirmou.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, reforçou o papel da estratégia dentro da política de saúde pública. “A ampliação da Telessaúde em Mato Grosso do Sul é um caminho sem volta. Estamos estruturando uma rede mais eficiente, que integra tecnologia ao cuidado e amplia a capacidade de resposta dos serviços, especialmente na Atenção Primária”, destacou.

Ampliação da teledermatologia no Estado

Atualmente, Mato Grosso do Sul já conta com 29 municípios com teledermatologia implantada, totalizando 44 pontos de atendimento na Atenção Primária. A estratégia possibilita ao médico acessar suporte especializado remoto, com devolutiva estruturada que orienta a condução do caso diretamente na unidade, sempre que possível.

A superintendente de Saúde Digital da SES, Márcia Tomasi, destacou que a teledermatologia tem papel estratégico na ampliação do acesso e na qualificação do cuidado ofertado à população. Trata-se de uma ferramenta consolidada no Estado desde 2019, que vem fortalecendo a resolutividade da Atenção Primária ao permitir que o profissional solicite a avaliação de lesões de pele e receba, em tempo oportuno, o laudo com orientações de conduta. Isso agiliza o diagnóstico, antecipa intervenções e possibilita a condução de muitos casos na própria unidade, evitando deslocamentos e encaminhamentos desnecessários, afirmou.

Segundo ela, além de ampliar o acesso ao especialista, a teledermatologia contribui para a organização do fluxo assistencial. Quando há necessidade de encaminhamento, o paciente é inserido na regulação de forma mais qualificada e assertiva, o que reduz o tempo de espera e garante maior prioridade aos casos mais complexos, otimizando o uso dos serviços especializados, completou.

Segundo ela, quando há necessidade, o paciente é encaminhado via regulação, de forma mais assertiva. “Isso reduz o tempo de espera e garante que os casos mais complexos tenham prioridade no atendimento especializado”, completou.

Capacitação e organização do fluxo assistencial

A coordenadora do Núcleo Telessaúde MS, Rosângela Dobbro, destacou que o evento teve como foco principal a qualificação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento à população. “O objetivo foi capacitar médicos e equipes de enfermagem tanto na solicitação quanto na execução do telediagnóstico, especialmente na captura adequada de imagens, além de preparar os municípios para organizar o fluxo de atendimento”, explicou.

Segundo ela, a proposta inclui a ampliação da ferramenta para mais 20 municípios, fortalecendo a atuação preventiva da Atenção Primária, com foco no rastreamento precoce do câncer de pele. “Com isso, conseguimos reduzir e até zerar as filas de espera por consultas em dermatologia, além de tornar mais ágil o atendimento dos casos que realmente necessitam de avaliação presencial”, afirmou.

Rosângela também ressaltou o impacto na regulação. “O telediagnóstico permite a classificação de risco e a qualificação da fila, tornando o sistema mais eficiente e garantindo prioridade para os casos mais graves. A meta é expandir o serviço para todo o Estado no menor prazo possível, com engajamento de gestores e profissionais”, disse.

Referência nacional e impacto no cuidado ao paciente

A professora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Maria Cristina Calvo, destacou que a teledermatologia já é uma estratégia consolidada e com resultados comprovados. “O modelo permite que apenas cerca de 40% dos casos sejam encaminhados para a especialidade. Isso reduz filas, evita deslocamentos desnecessários e melhora significativamente o prognóstico dos pacientes, especialmente nos casos de câncer”, afirmou.

Ela ressaltou que Santa Catarina é referência nacional na área e que a experiência já vem sendo compartilhada com outros estados. “Sempre que implantamos essa estratégia, iniciamos apoiando com laudos e organização do fluxo, mas o objetivo é transferir conhecimento para que os estados tenham autonomia”, explicou.

Segundo a professora, estudos já apontam redução de cerca de 40% no tempo e nos custos de internação em casos graves, além de impactos positivos na redução de deslocamentos e até de emissões de carbono. “Muitos pacientes deixam de precisar sair de seus municípios. Mesmo deslocamentos relativamente curtos já representam um custo alto, especialmente para idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, destacou.

Mais acesso, menos filas e diagnóstico precoce

Além da capacitação, o evento também marcou a entrega de kits de dermatoscopia para municípios selecionados, fortalecendo a estrutura local para identificação precoce de lesões de pele.

André Lima, Comunicação SES

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