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terça-feira, 24 de março de 2026

Setor rural enfrenta restrições de diesel, mas sindicato nega desabastecimento

O cenário crítico ocorre durante colheita da soja e o plantio do milho segunda safra

A indisponibilidade do diesel no setor rural tem preocupado produtores de Mato Grosso do Sul, diante da escalada do conflito no Oriente Médio. A apreensão dos ruralistas se intensifica mesmo que o Sinpetro-MS diga que não há desabastecimento no Estado.

Ao Campo Grande News, o diretor-executivo da Sinpetro MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), Edson Lazarotto, afirma que não falta combustível no Estado.

“O que eu posso dizer é que não tem desabastecimento em Mato Grosso do Sul, todos os postos têm combustível, seja diesel, seja gasolina, seja etanol”, enfatizou.

Ainda de acordo com ele, grandes produtores que tem tanques conseguem ter um pouco mais de fôlego.

“Não temos capacidade para estocar e também as distribuidoras estão atendendo dentro do limite médio de compras dos postos. Grandes pecuaristas, grandes produtores de soja e milho, alguns tem tanques que são liberados. Não é que estão com tanque cheio, não é que está estocado, quem conseguiu comprar tem um fôlego, mas é coisa de 5 a 10 dias no máximo”, pontuou.

De acordo com informações da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), diretores da associação de diferentes regiões do Estado relatam dificuldade de encontrar o combustível.

Eduardo Introvini, de Coxim, disse que o abastecimento está restrito na região. “O preço subiu mais de R$ 1 por aqui também, e o volume está muito restrito. Em duas distribuidoras não tem diesel”, afirmou.

Paulo Stefanello, de Sidrolândia, também relatou sobre a dificuldade. “Aqui em Sidrolândia também está complicado. A Unipetro não entregou mais. Consegui um pouco com a Santa Izabel para terminar de plantar o milho, mas a R$ 6,68 o litro”, destacou.

Almir Daspasqualle pontuou sobre a dificuldade em São Gabriel do Oeste. “Está muito difícil conseguir combustível. Hoje consegui compartilhar 5 mil litros a R$ 8 o litro. Em São Gabriel do Oeste já pararam atividades por falta de combustível”, pontuou se referindo à paralisação das atividades no dia 6 de março.

A reportagem já havia divulgado sobre a preocupação do setor em Mato Grosso do Sul, pois o cenário crítico ocorre durante a colheita da soja e o plantio do milho segunda safra.

De acordo com o projeto Siga-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul), a colheita da soja alcançou 63,3% da área estimada de 4,8 milhões de hectares. O montante representa mais de 3 milhões de hectares colhidos até o dia 6 de março.

O plantio do milho de segunda safra alcançou 65,7% da área estimada, o equivalente a 1,449 milhão de hectares.

Reajuste

Conforme já informado pelo Sinpetro, o diesel teve alta média de R$ 0,45 nas bombas dos postos de Campo Grande.

A elevação nos preços tem relação direta com o cenário externo. A guerra no Oriente Médio tem impulsionado a cotação do barril do petróleo tipo Brent, referência global para o mercado.

No dia 12 de março, o Governo Federal anunciou que zerou o PIS e Cofins do preço do diesel para conter a alta do combustível, diante da oscilação do mercado internacional.

Já no dia 14 de março, a Petrobras anunciou reajuste no preço do diesel vendido às distribuidoras. Segundo a estatal, o último ajuste de redução havia ocorrido em 6 de maio de 2025, há 311 dias. Já o último aumento tinha sido em 1º de fevereiro de 2025, 400 dias atrás.

Fonte: Campo Grande News (por Izabela Cavalcanti)

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