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quarta-feira, 25 de março de 2026

IFMS leva inovação ao centro do debate ambiental

Nesta semana, estudantes e servidores apresentam projetos e oferecem palestras em evento da UFMS que faz parte da COP15

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) marca presença, nesta semana, na COP15 POP, evento promovido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que faz parte da COP15, convenção internacional realizada em Campo Grande para tratar da conservação das espécies migratórias de animais selvagens.

Durante toda a semana, estudantes e servidores do Instituto Federal propõem debates e apresentam projetos no corredor central da UFMS, aproximando o conhecimento científico da sociedade. 

O estande do IFMS fica aberto à visitação sempre no período da manhã, com protótipos e soluções desenvolvidos em laboratórios e iniciativas da cultura maker, como impressões 3D e tecnologias voltadas à sustentabilidade.

A reitora Elaine Cassiano, que esteve presente nas cerimônias de abertura da COP15 e da COP15 POP destaca a importância da participação do IFMS em um evento estratégico do ponto de vista da preservação do planeta.

“A participação do IFMS na COP15 POP é extremamente significativa, especialmente neste momento em que Campo Grande respira os ares da COP15, com debates que podem impactar diretamente o futuro dos ecossistemas e das espécies. Ao participarem deste evento, estudantes e servidores reforçam o papel da divulgação científica como ponte entre o conhecimento produzido nas instituições e a sociedade”, enfatiza.

Para a dirigente, todas as atividades apresentadas evidenciam a importância das universidades e institutos como fontes de saber e de produção científica voltados à conservação da biodiversidade.

“Além disso, essa presença se fortalece pela parceria com a UFMS e demais instituições por meio do CRIE-MS [Conselho de Reitores de Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul], integrando diferentes áreas do conhecimento, e se concretiza na atuação do IFMS durante o evento, com palestras, apresentação de trabalhos e a mostra de projetos, aproximando ainda mais a ciência das pessoas”, completa.

Biodiversidade 

Um dos destaques do IFMS na COP15 POP foi a palestra ‘Do Pantanal ao território nacional: formação de especialistas em conservação e gestão da biodiversidade’, apresentada na segunda-feira, 23, por Gabriel Faggioni e Michele Recalde, do Campus Corumbá. O trabalho aborda a experiência da pós-graduação em Estratégias de Conservação da Natureza, que reúne estudantes de todo o país e promove momentos de imersão no Pantanal.

Segundo o pesquisador, a localização do IFMS em Corumbá amplia a responsabilidade com a conservação ambiental. Ele explica que o Pantanal é um bioma único e altamente conectado a outros sistemas, como Amazônia, Cerrado e Chaco, o que reforça a importância de formar especialistas dentro desse contexto. A proposta do curso, segundo Faggioni, vai além da natureza e inclui as dimensões sociais da região, como as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

“Quando tanta gente de fora vem até aqui para entender nossa realidade, isso não só legitima o que vivemos, como também amplia nossa capacidade de diálogo e de ação. O Pantanal deixa de ser visto como um problema local e passa a ser compreendido como parte de um sistema que impacta o mundo inteiro, inclusive em temas como as aves migratórias”, analisa Faggioni sobre a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul.

O pesquisador acredita que o evento poderá ter um um efeito transformador. “Pois fortalece quem atua na ponta, gera troca de conhecimento e deixa um legado que continua depois que o evento acaba. Acredito que haverá um antes e um depois, porque as pessoas voltam mais mobilizadas, mais conscientes e mais dispostas a provocar mudanças”, finaliza.

Espécies Migratórias 

Outro destaque do primeiro dia da COP15 POP foi a apresentação de uma pesquisa de mestrado sobre peixes migratórios do Rio Dourados. O estudo, feito pelo técnico de laboratório do Campus Aquidauana do IFMS, Rener da Silva Nobre, catalogou espécies e analisou como cheias, secas e diferentes habitats influenciam a distribuição dos peixes. Os dados chamam atenção para a importância de rios sem barragens para a manutenção dessas espécies.

Na palestra, o pesquisador abordou ainda o cenário internacional de conservação e destacou a baixa presença de peixes de água doce nas listas da convenção sobre espécies migratórias. Entre as espécies estudadas em Mato Grosso do Sul que podem ganhar mais visibilidade estão a piracanjuba, o pacu e o jaú, além do pintado, proposto pelo Brasil para inclusão na lista da COP15.

Outros Trabalhos 

Na segunda-feira, 23, o IFMS participou de outras atividades no Complexo Multiuso da UFMS. Entre elas, a mesa ‘Palavras importam: termos, conceitos e cosmovisões no diálogo com povos indígenas’, conduzida por Makchwell Coimbra Narcizo e Heloisy Silva de Souza, do Campus Corumbá, que trouxe reflexões sobre linguagem, cultura e a importância do respeito às diferentes formas de compreensão do mundo.

A pedagoga do IFMS Glaucia Lima Vasconcelos, ministrou o minicurso ‘Educação ambiental crítica inspirada na poesia de Manoel de Barros’, propondo uma abordagem sensível e interdisciplinar da educação ambiental, unindo literatura e formação cidadã. Na sequência, o professor Marcio Pache, do Campus Aquidauana, apresentou o trabalho ‘Classificação de Mamíferos Terrestres do Pantanal com Fusão de Dados Visuais e Tabulados’, destacando o uso de tecnologia e análise de dados no monitoramento da fauna pantaneira.

No período da tarde, o professor Mario Ney Rodrigues Salvador, do Campus Coxim, conduziu a discussão ‘Tecnologias, povos originários e efeitos climáticos: como (re)existir frente às complexidades contemporâneas?’, com um debate sobre mudanças climáticas, inovação e os saberes tradicionais. No mesmo horário, o professor Alexandre Honig Gonçalves, do Campus Nova Andradina, apresentou o projeto ‘Olhos na Pista, Cuidado com a Vida’, que trata da educação ambiental e do monitoramento de fauna atropelada em rodovias do estado.

Na terça-feira, 24, o professor Fernando Giovannetti de Macedo, do Campus Naviraí, abriu as atividades com o tema ‘Produção de Lenhas ecológicas a partir de resíduos orgânicos’, apresentando alternativas sustentáveis para reaproveitamento de materiais. Já o professor Guilherme Botega Torsoni, também de Naviraí, abordou o tema ‘Segurança e Sustentabilidade: Conexões entre Mudanças Climáticas, Agricultura e Inovação Tecnológica’, sobre os impactos ambientais e as soluções tecnológicas aplicadas ao setor produtivo.

À tarde, professor Fábio Faria, do Campus Campo Grande, realizou a atividade ‘Negritude em debate 2025 – Furnas do Dionísio’, com exibição, debate e apresentação cultural, ampliando o debate sobre território, identidade e sustentabilidade.

Confira a programação completa da COP15 POP

COP15 

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) foi oficialmente aberta no domingo, 22, em Campo Grande, em cerimônia com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, além de representantes de outras nações que defendem a cooperação entre países para a proteção da biodiversidade.

O evento é realizado entre 23 e 29 de março, no Bosque Expo, espaço oficial da ONU também chamado de Blue Zone, com acesso restrito a delegações governamentais, representações credenciadas e organismos internacionais.

Com o tema ‘Conectando a natureza para sustentar a vida’, a COP15 tem foco na necessidade de preservar não apenas os locais onde os animais vivem, mas também os caminhos que percorrem ao longo de suas migrações.

Realizada a cada três anos, a COP é um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne 133 países de todo o mundo para debater a proteção de espécies que atravessam fronteiras, como aves, peixes e mamíferos.

O evento tem a participação de cientistas, organizações internacionais e sociedade civil, que juntos definem prioridades, metas e recursos para a conservação das espécies migratórias em escala mundial. Na convenção, os países avaliam o estado de conservação dos animais, atualizam listas de espécies ameaçadas e firmam acordos e ações conjuntas para proteger habitats e rotas migratórias, que são essenciais para a sobrevivência dessas espécies.

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