Mato Grosso do Sul vive um momento estratégico de transformação logística, impulsionado por investimentos estruturantes em rodovias, hidrovias e ferrovias. Esse cenário amplia a competitividade do Estado nos mercados nacional e internacional e o posiciona como um novo hub logístico global. Um dos principais destaques é o Corredor Bioceânico, com obras relevantes como a ponte internacional que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai — um marco na integração sul-americana.
Esse panorama foi apresentado nesta quinta-feira (27) pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante o painel “Tendências – Rota Bioceânica”, realizado no 2º SEMPRE – Seminário de Pré-Moldados de Mato Grosso do Sul, no auditório do CREA-MS.
Também participaram do evento, pela Semadesc, o assessor de Logística Luiz Eduardo Costa e a assessora especial do Corredor Bioceânico, Danniele Paiva.
Promovido pela Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto, o seminário teve como objetivo conectar o mercado da construção civil do Centro-Oeste a especialistas da arquitetura e engenharia, destacando inovações e benefícios da construção industrializada em concreto.
Durante sua fala, Verruck enfatizou a necessidade de modernização do setor diante do ritmo de crescimento do Estado.
“Quando pensamos em construção civil, pensamos em estrutura. Mas precisamos avançar na industrialização e incorporar tecnologia. Mato Grosso do Sul cresce acima da média nacional, e a capacidade atual da construção não acompanha esse ritmo. A solução passa pela industrialização e adoção de processos tecnológicos que garantam mais agilidade”, destacou.
Momento logístico
O secretário reforçou que o Estado vive um ciclo consistente de expansão da infraestrutura.
“Temos investimentos estruturantes em rodovias, hidrovias e ferrovias, ampliando nossa competitividade e integração com mercados internacionais”, afirmou.
Na área hidroviária, um dos projetos estratégicos é a concessão da hidrovia do Rio Paraguai, com cerca de 600 km de extensão, incluindo o tramo sul e o Canal do Tamengo. O projeto prevê investimentos de R$ 74,3 milhões nos primeiros cinco anos, com prazo de concessão de 15 anos, prorrogáveis por igual período.
A iniciativa busca garantir navegação mais eficiente, segura e sustentável, com manutenção de calado mínimo de 2 metros na estiagem e 3 metros no período de cheia, além de fortalecer a integração com regiões de fronteira com Bolívia e Paraguai.
Integração continental
Outro eixo central é a Rota Bioceânica, que conecta o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile. A nova rota reduz a distância até a Ásia — especialmente a China — de 24.156 km para cerca de 18.677 km, com economia estimada de 12 a 17 dias no transporte de mercadorias.
Um dos principais marcos dessa integração é a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Com 1.294 metros de extensão e 29 metros de altura, a obra está cerca de 90% concluída. O investimento é de US$ 93 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, com entrega prevista para agosto de 2026.
As obras complementares também avançam, incluindo o contorno rodoviário de Porto Murtinho e o asfaltamento de 225 km no Chaco paraguaio, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026.
Segundo Verruck, o Corredor Bioceânico de Capricórnio representa um dos maiores desafios de integração logística da América do Sul, envolvendo quatro países e oito estados subnacionais.
O corredor reúne cerca de 3.900 km de rodovias, além de sistemas portuários no Pacífico e passagens de fronteira estratégicas, ampliando a conectividade entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno.
O Plano Diretor da rota vai além da infraestrutura física e contempla logística integrada, facilitação de processos transfronteiriços, desenvolvimento produtivo e integração econômica. Em Mato Grosso do Sul, as cadeias prioritárias incluem proteínas, soja, celulose e turismo.
Desafios e oportunidades
Apesar dos avanços, o secretário apontou desafios importantes, especialmente nas passagens de fronteira, que ainda representam gargalos operacionais. Também há necessidade de ampliar a infraestrutura de apoio, como plataformas logísticas, centros de distribuição e instalações portuárias.
Entre os avanços recentes, destaca-se a adesão do Brasil à Convenção TIR, que simplifica procedimentos aduaneiros no transporte rodoviário internacional, reduzindo custos e tempo nas operações.
“Os desafios passam pela integração aduaneira, harmonização regulatória, criação de documentos eletrônicos de transporte, acordos bilaterais e qualificação profissional, além do fortalecimento da governança internacional do corredor”, explicou.
Ao final, Verruck destacou que Mato Grosso do Sul se consolida como um hub logístico estratégico, com potencial para ampliar sua inserção nos mercados globais, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento regional de forma sustentável.
Rosana Siqueira, da Semadesc






