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Três Lagoas
segunda-feira, 30 de março de 2026

Crise global de fertilizantes expõe dependência do Brasil e reforça urgência na retomada da UFN3

Com obra paralisada há mais de uma década em Três Lagoas, país enfrenta pressão no agronegócio em meio a tensões internacionais

A escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e aliados contra o Irã já provoca impactos diretos na economia global — e o Brasil começa a sentir os efeitos não apenas no setor de combustíveis, mas também em um ponto sensível: o abastecimento de fertilizantes.

A redução na oferta internacional desses insumos, agravada pelo conflito e por restrições comerciais impostas por grandes exportadores, acende um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente em Mato Grosso do Sul. A escassez já pressiona custos de produção e pode, em breve, impactar o preço dos alimentos ao consumidor.

DEPENDÊNCIA EXTERNA

Diante desse cenário, especialistas e lideranças do setor apontam um problema antigo e ainda sem solução: a paralisação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas. Com cerca de 80% das obras concluídas em 2014, o projeto permanece inacabado há mais de dez anos — e hoje simboliza a dependência externa do país em um momento crítico.

Se estivesse em operação, a UFN3 teria capacidade de reduzir significativamente a necessidade de importação de fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia, fortalecendo a autonomia nacional e protegendo o setor agrícola de oscilações internacionais.

CHINA RESTRINGE EXPORTAÇÕES

A situação se agrava com a decisão da China — terceiro maior fornecedor de fertilizantes ao Brasil — de restringir exportações para priorizar o abastecimento interno, conforme reportado pela agência Reuters. A medida adiciona ainda mais pressão a um mercado global já afetado pelas tensões geopolíticas.

INCERTEZAS

Enquanto isso, a retomada da UFN3 segue envolta em incertezas. Apesar de promessas de reativação ainda em 2026, inclusive com sinalizações do governo federal, o cronograma mais recente da Petrobras projeta avanços concretos apenas a partir de 2029. Porém a estatal informou que a decisão final sobre os investimentos deve ocorrer no primeiro semestre de 2026 — etapa considerada crucial para a eventual retomada das obras.

O atraso prolongado também tem gerado deterioração das estruturas já instaladas, elevando custos e aumentando a urgência de uma decisão. Empresas envolvidas em estudos e consultorias para a retomada já estariam prontas para iniciar os trabalhos, mas aguardam a formalização por parte da Petrobras.

IMPACTO ECONÔMICO

Além de estratégica para a segurança nacional no setor de fertilizantes, a conclusão da UFN3 também representa impacto econômico regional relevante. A estimativa é de geração de até 8 mil empregos diretos e indiretos, além do fortalecimento da economia local em Três Lagoas.

Dados do Comexstat mostram que o Brasil segue altamente dependente de importações: somente da China, foram mais de US$ 93 milhões em fertilizantes adquiridos em 2025, representando 11,5% do total. Globalmente, o país asiático movimentou mais de US$ 13 bilhões em exportações do produto no último ano.

Em um cenário de instabilidade internacional e restrição de oferta, a paralisação da UFN3 deixa de ser apenas uma questão de gestão de obras e passa a ser vista como um tema estratégico de soberania nacional. A retomada do projeto, segundo analistas, não é mais uma opção — mas uma necessidade urgente para garantir segurança ao agronegócio e à economia brasileira

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