Campus Corumbá atenderá empresa local do ramo de mineração. Atividades são realizadas nos laboratórios da unidade
O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) firmou, no começo deste mês, o primeiro contrato de prestação de serviço técnico especializado voltado a atividades de inovação, pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.
O serviço, previsto na chamada Lei da Inovação (Lei nº 10.973/2004, atualizada pela Lei nº 13.243/2016), será prestado pelo Campus Corumbá junto à empresa LHG Mining. O contrato prevê a análise de 190 amostras que serão retiradas dos depósitos de manganês da região, o que será feito no Laboratório de Metalurgia da unidade.
As atividades já se iniciaram e vão até o mês de agosto. A realização das análises terá a participação de professores e estudantes do campus
A coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IFMS, Edilene Pinheiro, destaca que a articulação para que esse tipo de serviço passasse a ser prestado pela instituição surgiu a partir da participação no Encontro Nacional de Inovação e Empreendedorismo na Educação Profissional e Tecnológica (InovEPT) e de capacitações, com foco no tema, oferecidas pelo projeto Assistec Inova.
“É facultado aos Institutos de Ciência e Tecnologia prestar a instituições públicas ou privadas serviços técnicos especializados compatíveis com a lei, nas atividades voltadas à inovação, bem como à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, visando, entre outros objetivos, à maior competitividade das empresas”, explica.
Na avaliação de Edilene, essa primeira prestação de serviço especializado poderá abrir precedentes para futuras parcerias. “Com a cultura de prestação de serviços tecnológicos podemos, inclusive, gerar receitas próprias e ampliar a visibilidade institucional, aproximando a instituição do setor produtivo e ampliando sua atuação em inovação”, complementa a coordenadora do NIT.
Serviço Técnico
O responsável pela prestação do serviço no Campus Corumbá é o professor de Metalurgia Física, Leonardo Simoni. Também participam da iniciativa os docentes Felipe Oliveira e Robson Ribeiro, além de estudantes dos cursos técnico integrado em Metalurgia e superior de tecnologia em Processos Metalúrgicos.
O serviço prevê a análise do manganês da região – composto por minerais criptocristalinos, cuja identificação não pode ser realizada a olho nu ou por técnicas convencionais – por meio do método Difração de Raios X (DRX).
“Trata-se de uma técnica não destrutiva capaz de identificar e quantificar as fases minerais presentes em uma amostra, a partir do padrão de difração gerado pela interação dos raios X com a estrutura cristalina dos minerais”, explica Simoni.
Em minerais criptocristalinos caracterizados por cristais extremamente pequenos, o DRX permite um reconhecimento detalhado dessas fases, contribuindo significativamente para o entendimento geológico e para o aprimoramento do conhecimento sobre os processos de formação do depósito de manganês.
O serviço técnico, que tem custo de R$ 22,7 mil, terá contraprestação econômica feita pela demandante, que é quando a empresa fornece algum bem ao IFMS como pagamento. Nesse caso, serão realizadas melhorias no laboratório do campus.
“O acordo trará, como benefício direto, uma contrapartida na forma de memorial e projeto para a setorização/divisão do Laboratório de Metalurgia. Além disso, a iniciativa promove maior aproximação do Instituto Federal com a indústria local, contribuindo para o desenvolvimento regional e incentivando a formação dos estudantes”, acrescenta o docente.
A diretora-geral do Campus Corumbá, Renilce Barbosa, destaca o papel dos professores envolvidos na prestação do serviço e a atuação da Coordenação de Extensão e Relações Institucionais (Coeri) da unidade para que o contrato fosse firmado pela primeira vez no IFMS.
“Ele evidencia a qualidade do nosso corpo docente e infraestrutura, bem como a capacidade que temos para atender demandas reais com competência técnica. É uma entrega importante para o nosso território, especialmente o Pantanal, e reforça o compromisso do IFMS com o desenvolvimento regional”.
Lei da Inovação
A legislação trata dos incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País.
A lei prevê que o estímulo à atividade de inovação possa ser feito nas Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) e nas empresas, inclusive para a atração, a constituição e a instalação de centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de parques e polos tecnológicos.
“A oferta da prestação de serviço ocorre quando a empresa procura o campus ou o pesquisador. O IFMS também pode procurar as empresas para oferecer seus serviços”, esclarece Edilene.
A coordenadora do NIT informa ainda que o regulamento para a prestação de serviço técnico especializado, em âmbito institucional, foi encaminhado para análise do Conselho Superior (Cosup) do IFMS.
Atualmente, a Diretoria de Empreendedorismo e Inovação (Direi) e a Coordenação do Núcleo de Inovação Tecnológica (Coint) também têm trabalhado na elaboração de um fluxo de tramitação para processos de prestação de serviço especializado, além de prestarem orientações aos pesquisadores interessados.





