33.5 C
Três Lagoas
quarta-feira, 1 de abril de 2026

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS

A expansão da indústria de celulose no interior de Mato Grosso do Sul redefine a economia regional, impulsiona empregos e consolida o Estado como líder nacional do setor

Por: Nathália Santos

A interiorização da indústria brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos anos com a consolidação do chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Longe dos grandes centros industriais tradicionais, municípios do interior passaram a receber investimentos bilionários, redesenhando suas economias e colocando o Estado no centro da produção global de celulose.

Hoje, a celulose não apenas integra a matriz produtiva sul-mato-grossense. Ela se tornou o principal motor de crescimento econômico do Estado.

UM NOVO EIXO INDUSTRIAL NO INTERIOR

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS
Unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo; a maior do mundo (Assessoria)

Historicamente dependente do agronegócio, Mato Grosso do Sul encontrou na cadeia florestal uma estratégia de diversificação econômica. A combinação de clima favorável ao cultivo de eucalipto, disponibilidade de terras e logística estratégica atraiu gigantes globais do setor.

Atualmente, o Estado já abriga operações consolidadas da Eldorado Brasil e da Suzano, com fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Essas unidades somam milhões de toneladas de capacidade produtiva anual e posicionam o Estado entre os maiores produtores mundiais.

Além das plantas já em funcionamento, uma nova onda de investimentos reforça o processo de interiorização industrial:

            •          A chilena Arauco constrói, em Inocência, aquela que deve ser a maior fábrica de celulose do mundo em linha única

            •          A Bracell prepara a implantação de uma unidade em Bataguassu

            •          A Eldorado também projeta expansão da sua capacidade nos próximos anos

Esse conjunto de empreendimentos consolida uma mudança estrutural. A indústria pesada deixa os grandes centros urbanos e passa a se instalar em cidades médias e pequenas do interior.

IMPACTO DIRETO NAS ECONOMIAS LOCAIS

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS
Projeto Sucuriú que multinacional chilena Arauco está construindo em Inocência: R$ 25 bilhões em investimentos (Foto: Ricardo Ojeda)

Os efeitos dessa interiorização são profundos e visíveis. Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, mais recentemente, Inocência e Bataguassu, experimentam crescimento acelerado em emprego, renda e infraestrutura.

Segundo estimativas recentes, o setor de celulose deve gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente:

            •          24 mil empregos diretos

            •          69 mil empregos indiretos

Durante a fase de construção, os impactos são ainda mais intensos:

            •          A obra da Arauco pode empregar até 14 mil trabalhadores

            •          A Bracell deve gerar cerca de 12 mil empregos no pico das obras

Esse dinamismo aquece não apenas o mercado de trabalho industrial, mas também setores como comércio, serviços, habitação e transporte, criando um efeito multiplicador típico de grandes projetos industriais.

O PROTAGONISMO DA CELULOSE NA ECONOMIA ESTADUAL

Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que Mato Grosso do Sul caminha para se tornar líder nacional na produção e exportação de celulose. O Estado já possui:

A interiorização da indústria: como as fábricas de celulose transformam economias locais em MS

            •          Cerca de 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas

            •          Projeção de atingir 2 milhões de hectares nos próximos anos

Além disso:

            •          O Estado responde por cerca de 24 por cento da produção nacional de celulose

            •          Pode concentrar mais de 70 por cento da expansão da produção brasileira na próxima década

            •          Os investimentos previstos no setor podem chegar a até 131 bilhões de reais até 2030

Esses números confirmam o protagonismo da cadeia florestal, que hoje se posiciona como o carro chefe da economia sul-mato-grossense, superando atividades tradicionais em geração de valor e atração de investimentos.

TRANSFORMAÇÃO E DESAFIOS

A interiorização da indústria de celulose não se limita ao crescimento econômico. Ela também promove mudanças estruturais nas cidades, exigindo planejamento urbano, qualificação de mão de obra e expansão de serviços públicos.

Entre os principais desafios estão:

            •          Escassez de trabalhadores qualificados

            •          Pressão sobre infraestrutura urbana

            •          Necessidade de ampliação de serviços públicos

Ao mesmo tempo, o avanço da cadeia florestal estimula políticas de capacitação e fortalece parcerias entre empresas, governo e instituições de ensino, consolidando um novo perfil econômico para o interior do Estado.

UM NOVO MAPA INDUSTRIAL

O caso de Mato Grosso do Sul ilustra uma tendência mais ampla da economia brasileira, a descentralização industrial. No Estado, porém, esse movimento ganha escala global.

Com a presença de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, e a chegada de novos projetos de Arauco e Bracell, o interior sul-mato-grossense deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a ocupar posição estratégica na indústria mundial de base florestal.

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.