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Três Lagoas
sexta-feira, 10 de abril de 2026

Grandes shows movimentam economia, mas expõem desafios na infraestrutura urbana

Evento internacional reúne multidão em Campo Grande, impulsiona setores econômicos, mas revela gargalos na mobilidade e no planejamento logístico

Eventos de grande porte têm o poder de transformar cidades. Além de atrair multidões, aquecem a economia local, movimentam comércio, turismo e serviços. No entanto, para que esse impacto seja positivo, é fundamental que a estrutura urbana esteja preparada para atender a demanda do público.

EXPOTRÊS

Em Três Lagoas, por exemplo, a experiência durante a Expotrês realizada no ano passado, mostrou o potencial desses eventos. Com programação gratuita e atrações de destaque, como o cantor Gusttavo Lima, o município recebeu visitantes de diversas regiões. O fluxo intenso chegou a causar congestionamentos nas rodovias de acesso, mas, ainda assim, o público conseguiu prestigiar os shows, consolidando o evento como um dos principais da região.

PROBLEMAS ESTRUTURAIS

Já em Campo Grande, a realização do show internacional da banda Guns N’ Roses trouxe uma realidade mais complexa. O espetáculo, realizado no autódromo da capital, reuniu cerca de 35 mil pessoas e confirmou o interesse do público por grandes produções. No entanto, também evidenciou problemas estruturais importantes.

Grandes shows movimentam economia, mas expõem desafios na infraestrutura urbana

Caravanas vindas de cidades do interior, incluindo Três Lagoas, enfrentaram longas horas de deslocamento e, já próximas ao local do evento, acabaram presas em um congestionamento que ultrapassou 12 quilômetros. Muitos fãs investiram tempo e recursos para assistir à apresentação, mas não conseguiram chegar a tempo — alguns sequer conseguiram entrar no local.

IMPROVISO

A situação abriu espaço para soluções improvisadas. Mototaxistas passaram a oferecer transporte por valores que variavam entre R$ 50 e R$ 150, em trechos curtos próximos ao autódromo. Mesmo assim, a alternativa não foi suficiente para atender toda a demanda.

Grandes shows movimentam economia, mas expõem desafios na infraestrutura urbana
Grupo de fãs pegou ônibus no centro de Campo Grande, porém só conseguiram chegar ao local após o fim do show (Foto: Guta Rufino)

Entre os fãs que encararam a jornada estava a jornalista Guta Rufino, apaixonada por rock e admiradora da banda. Partindo de Três Lagoas, ela percorreu cerca de 380 quilômetros em uma viagem planejada, optando por transporte coletivo como forma de contribuir para a redução do trânsito. No entanto, quando chegou em Campo Grande, a realidade foi outra.

O trajeto final, que deveria durar poucos minutos, se transformou em horas de espera. Diante da lentidão, Guta decidiu descer do ônibus e seguir parte do caminho por conta própria, assim como outros espectadores. A cena, segundo ela, lembrava um cenário de improviso coletivo, com pessoas caminhando por quilômetros na tentativa de não perder o show.

SHOW PELA METADE

O jeito foi encarar a garupa de um mototaxista

Apesar do esforço, a jornalista pegou um mototáxi, conseguindo chegar ao autódromo apenas após o início da apresentação principal, perdendo parte significativa do espetáculo — incluindo a banda de abertura. Ainda assim, conseguiu vivenciar o show, que classificou como grandioso, embora diferente da intensidade percebida em outras fases da vida.

A experiência, no entanto, deixou uma reflexão importante. Para Guta, o evento demonstrou claramente que Campo Grande possui público e potencial para sediar grandes atrações, mas ainda precisa avançar em aspectos essenciais, como mobilidade, logística e planejamento viário.

A ausência de estratégias mais eficientes — como rotas alternativas, organização do fluxo e até faixas exclusivas para ônibus — contribuiu para o caos no acesso ao local. O resultado foi uma experiência marcada tanto pelo encantamento do espetáculo quanto pela frustração de muitos fãs.

DESTAQUE DA IMPRENSA

Por outro lado, houve pontos positivos. A cobertura em tempo real realizada pela imprensa local foi destacada como um diferencial, mantendo o público informado e acompanhando de perto os desafios enfrentados.

No balanço final, o evento reforça uma constatação: grandes shows são oportunidades valiosas para as cidades, mas exigem preparo à altura. Entre acertos e falhas, fica o aprendizado de que atrair público é apenas parte do desafio — garantir que todos consigam viver a experiência completa é o que define o sucesso de fato.

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