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segunda-feira, 13 de abril de 2026

MS amplia vendas externas de grãos em cenário de mercado pressionado

China lidera com vantagem as compras de soja, enquanto Egito concentra 100% das importações de milho do Estado

O desempenho das exportações brasileiras de soja e milho em março de 2026 revela um cenário de equilíbrio delicado no mercado internacional, marcado pela combinação de oferta global elevada, demanda concentrada em poucos compradores e de variações cambiais. Apesar de oscilações nos volumes embarcados, os dados indicam manutenção e, em alguns casos, avanço das receitas, apontando um ambiente ainda sustentado pela demanda externa.

De acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados no boletim de exportações, o Brasil embarcou 14,5 milhões de toneladas de soja no mês, o que representa uma leve queda de 1% em relação a março de 2025, cerca de 161,9 mil toneladas a menos destinadas ao mercado internacional . Ainda assim, a receita somou US$ 5,9 bilhões, crescimento de 3% na mesma base de comparação, sinalizando preços relativamente firmes mesmo diante da ampla oferta global.

A China manteve protagonismo absoluto nas compras, concentrando 69% das importações, aproximadamente 9,98 milhões de toneladas, seguida por Espanha e Turquia, com participações bem menores. O dado reforça a forte dependência brasileira do mercado asiático, especialmente no complexo da soja.

No caso do milho, o movimento foi distinto. O volume exportado alcançou 981 mil toneladas, avanço de 13% frente ao mesmo mês do ano passado, com incremento de cerca de 110 mil toneladas. Em termos financeiros, o salto foi ainda mais expressivo: a receita atingiu US$ 219,4 milhões, alta de 93% na comparação anual, indicando valorização internacional do grão.

Por outro lado, na comparação com fevereiro, houve retração de 37% nos embarques, evidenciando volatilidade no ritmo das exportações. Assim como na soja, a concentração de destinos também chama atenção: o Egito respondeu por cerca de 89,6% das compras, seguido por Malásia e Iraque.

No recorte regional, Mato Grosso do Sul apresentou desempenho superior à média nacional, especialmente na soja. O estado exportou 1,22 milhão de toneladas em março, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025, um acréscimo de aproximadamente 108 mil toneladas. A receita somou US$ 497 milhões, avanço de 15%.

A China também liderou com folga entre os destinos da soja sul-mato-grossense, respondendo por 81% das aquisições, seguida por Vietnã e Paquistão. O resultado evidencia o fortalecimento do estado na cadeia exportadora e sua inserção no mercado internacional.

Já nas exportações de milho, Mato Grosso do Sul registrou aumento de 52% no volume embarcado na comparação anual, totalizando 16,3 mil toneladas. Em valor, houve crescimento de 48%, com receitas de aproximadamente US$ 3,4 milhões. No entanto, assim como no cenário nacional, o dado mensal mostra forte retração: queda de 86% frente a fevereiro, reflexo da irregularidade nos embarques.

Outro ponto relevante é a concentração total das exportações de milho do estado em um único destino: o Egito absorveu 100% dos embarques no período.

A análise econômica do boletim aponta que o mercado internacional segue sustentado por uma demanda consistente, especialmente da Ásia, mas enfrenta pressão da elevada oferta global. No caso da soja, a combinação de leve queda no volume com aumento no valor exportado indica preços relativamente estáveis, ainda que limitados por esse excesso de oferta.

No milho, o cenário é de maior valorização anual, mas com forte volatilidade no curto prazo, refletida na queda mensal dos embarques. Além disso, a tendência de desvalorização do dólar reduz a competitividade do produto brasileiro no exterior, pressionando as cotações internas.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, a demanda segue firme, mas o contexto exige cautela. “Com a grande oferta dos grãos no mercado, os preços tendem a ficar mais baixos. Com as oscilações, principalmente por causa da guerra do Irã, é importante estar atento aos momentos de melhores oportunidades no mercado internacional e também no mercado interno”, afirma.

Diante desse cenário, o relatório destaca que produtores precisam adotar estratégias mais sofisticadas de comercialização, como o uso de ferramentas de proteção de preços, escalonamento de vendas e acompanhamento do mercado futuro. A preservação de margens, segundo a análise, depende cada vez mais da capacidade de adaptação a um ambiente global competitivo e volátil.

(*) Campo Grande News

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