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terça-feira, 16 de junho de 2026

América e Comercial fazem ‘decisão caipira’ da Copa SP

25/01/2006 10h28 – Atualizado em 25/01/2006 10h28

Folha de S.Paulo

A primeira “decisão caipira” da história da Copa São Paulo de juniores irá opor hoje um clube que é literalmente a maior zebra do torneio e outro disposto a ganhar o título para “exorcizar”, com a ajuda de padres, o diabo, seu mascote desde a fundação, em 1946.Nunca, em 37 edições do evento, clubes do interior paulista chegaram juntos à final. A partir das 14 horas, o Comercial, de Ribeirão Preto, e o América, de São José do Rio Preto, duelam no Pacaembu, com entrada franca, para saber quem ostentará o título pela primeira vez.O Comercial jamais chegou à final e conquistou sua vaga com dificuldades. Na primeira fase, foi só o quarto entre os dez times que avançaram por índice técnico. A “zebra” de Ribeirão, que atua com uniformes alvinegros, ficou sem técnico após o primeiro jogo, quando perdeu para o arqui-rival Botafogo-SP. Mais: venceu as três últimas partidas nos pênaltis –Anderson foi o herói ao defender cinco cobranças nas decisões. “Não achamos que chegaríamos tão longe, principalmente depois dos resultados ruins”, disse o coordenador técnico do Comercial, Macalé, que assumiu o comando da equipe. Cinco titulares foram trazidos do Ituano.Invicto, o América venceu seus sete compromissos e é o favorito para levar hoje o título que deixou escapar em 1988, quando perdeu a decisão para o Nacional, da capital. O destaque é o atacante Cristiano, com cinco gols. Cartolas do clube querem a taça para colocar em prática o projeto de “exorcizar” o diabo –mascote representado por Brasinha, personagem dos quadrinhos.”Não dá para torcer pelo diabo. Faremos campanha nas escolas de Rio Preto para escolher um novo símbolo”, disse Alcides Zanirato, presidente do América e secretário municipal de Esportes. “Sou muito católico e nunca gostei dessa idéia de se adotar como símbolo um diabo, mesmo sendo um personagem infantil.”A mudança tem coro na recém-criada assessoria de suporte religioso, integrada por quatro padres e um pastor evangélico.”Auxiliamos os atletas nas orações antes dos jogos”, disse o padre Areovaldo Vieira de Souza, que também não gosta do símbolo do diabo. “Expulsaremos o mal para atrair o bem sempre.”O padre promete ir ao Pacaembu orar com os atletas nos vestiários, antes do jogo. A tentativa de mudar o mascote do América tem precedente. Cartolas lembram que atletas de Cristo já boicotaram o desenho, cobrindo-o no uniforme com fitas adesivas. O primeiro passo para o “exorcismo” foi dado: o desenho sumiu da camisa vermelha. Agora falta sair do estatuto.

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