30.7 C
Três Lagoas
sábado, 21 de março de 2026

ARTIGO: Pediatras entram na lista de médicos em extinção

22/11/2005 08h19 – Atualizado em 22/11/2005 08h19

Assessoria de Imprensa

Os pediatras encontram-se no centro de uma crise de saúde pública já anunciada há anos. A culpa dessa crise não é do atual prefeito ou do secretário de saúde nos quais reconhecemos a boa vontade de melhorar a saúde, porém, “anos de maus tratos” não se apagam com algumas “doces palavras”. É preciso reconquistar os médicos, particularmente o pediatra. Ele está ferido em sua dignidade, cansado da carga excessiva de trabalho e de carregar o ônus da péssima qualidade do atendimento à população da rede pública de saúde. A imagem de “médico vilão”, difundida entre a população pelo governo passado, piorou a situação do médico, levando-o a sentir-se inseguro em seu local de trabalho onde começou a ocorrer desrespeito ao profissional da saúde, inclusive com casos de agressão física.É sabido, por pesquisa feita pelo CFM, que a área de pediatria é uma das que mais trabalha e sua remuneração baixa faz com que haja uma diminuição da procura de residência médica nessa especialidade. Junte-se a isso inerentes às condições de trabalho dos pediatras na rede pública e tem-se o quadro atual em que sobram plantões e faltam pediatras.Entende – se por más condições de trabalho: 1-baixa remuneração: há anos o salário dos médicos não tem um aumento real compatível com a reposição da inflação.2-falta de materiais de trabalho: estetoscópio, otoscópio, medicações, etc.3-falta de segurança no local de trabalho.4-falta de conforto mínimo para o plantonista: não existe local para os médicos guardarem seus pertences ou uma sala própria para que estes possam ter momentos de privacidade nas horas de menor movimento. O quarto dos médicos é mal equipado, sem conforto e camas em números insuficiente para os plantonistas. Detalhes como café da manhã, após o plantão de doze horas, que seria uma demonstração de respeito pelos funcionários, nunca foi sequer cogitado. Nem, ao menos, existe água filtrada nos postos de saúde.5-Nossa profissão, sabidamente insalubre, foi covardemente aviltada quando perdemos o ganho de insalubridade e a possibilidade da aposentadoria especial e, infelizmente, com o apoio de políticos médicos.6-Os ditos plantões eventuais carecem de qualquer direito trabalhista: férias, décimo terceiro salário, direito a licença, etc.Atualmente, após serem esquecidos por anos, o pediatra está finalmente sendo valorizado. Nos plantões havia dois clínicos para um pediatra e o último era obrigado a atender filas intermináveis, sendo que, o tempo gasto para sua consulta normalmente é maior do que o dos utilizados pelos clínicos. Hoje, na maioria dos postos, graças a atual administração, têm-se pelo menos, dois pediatras de plantão (onde a escala está completa). E, no plantão noturno, temos três pediatras de plantão. Essa foi uma das nossas conquistas e está ameaçada pela falta de pediatras na rede. Pensa-se em retirar um plantonista para cobrir falhas na escala e, de antemão, pode-se prever a piora da situação, pois os pediatras não aceitarão retornar aos tempos em que atendiam cinqüenta pacientes sozinhos, sem tempo sequer para tomar água. Se isso acontecer, haverá uma debandada geral.Outra idéia absurda foi a de obrigar o plantonista noturno a fazer plantões de final de semana. A promotoria está cobrando uma solução para a falta de pediatras na rede pública e os nossos governantes estão sem saber como resolver isso. No último concurso público feito pela prefeitura não foi preenchido o número de vagas para pediatra.Não será pressionado os pediatras, que possuem carga horária excessiva, ultrapassando o que rezam as leis trabalhistas ( pois possuem vários empregos para alcançarem um salário digno) que conseguirão resolver o problema da falta de pediatras na rede pública de saúde.A saída está na negociação. Ouçam os pediatras, atendam suas justificativas, reivindicações e os terão de volta à rede pública municipal.Maria Cláudia Mourão Santos RosseliMédica pediatra da rede municipal e Conselheira do CRM/MS.

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.