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domingo, 22 de março de 2026

ARTIGO:LEVANTAMENTO AÉREO COMO FERRAMENTA

30/05/2005 14h04 – Atualizado em 30/05/2005 14h04

Embrapa Pantanal

LEVANTAMENTO AÉREO COMO FERRAMENTA PARA CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE NO PANTANALPor: Guilherme de Miranda Mourão São contagens de indivíduos de populações silvestres feitas a partir de aeronaves em vôos de baixa altitudes, geralmente de 50 a 200 m acima do solo. É um dos métodos mais eficientes e baratos de se obter informações sobre densidades de grandes vertebrados em áreas extensas e remotas, onde levantamentos em nível de solo são dificultados. Os observadores vasculham visualmente a aérea de contagem, em geral definida por marcas visuais (réguas ou cordas) fixadas paralelamente à fuselagem da aeronave e contam o número de animais observados.Para que serve os censo ou levantamento aéreo de populações silvestres? É uma ferramenta de grande utilidade em programas de conservação da biodiversidade, porque permite o monitoramento de populações a longo prazo e em vastas extensões, como no caso do Pantanal. A Embrapa Pantanal adaptou e padronizou a metodologia do levantamento aéreo para as especificidades do Pantanal e vem constantemente monitorando as populações de diversas espécies no âmbito de um Projeto Ecológico de Longa Duração (Peld), apoiado pelo CNPq. O jacaré-do-pantanal (Caimam crocodilus yacare) que foi alvo de caça ilegal durante décadas, permaneceu durante vários anos na lista Norte-americana de espécies em extinção. A possibilidade da população de jacaré-do-pantanal ter sido super explotada gerou a demanda para que fosse desenvolvido um sistema de monitoramento para as populações de jacaré. A alternativa foi padronizar a metodologia do levantamento aéreo, tanto para jacaré quanto para outras populações que estão na lista de extinção como o veado campeiro (ozotocerus bezoarticus) e o cervo do Pantanal (Blastocerus dichotomus). Os resultados do censo aéreo indicaram que a população de jacaré-do-pantanal não está ameaçada de extinção, como se pensava anteriormente, com uma população em torno de 3.900.000 animais, distribuídos em todo o Pantanal. Estes dados embasaram, em parte a retirada desta espécie da Lista Norte-americana de Espécies em Extinção, facilitando a exportação de produtos e sobprodutos do jacaré-do-pantanal e voltando a dar um impulso decisivo a esta atividade econômica. Os levantamentos aéreos indicam que, em geral, os cervos do Pantanal e os veados campeiros ocupam áreas diferentes do Pantanal, informação fundamental para qualquer plano de conservação para estas espécies.Guilherme de Miranda Mourão ([email protected]) é pesquisador da Embrapa Pantanal na área de Fauna Silvestre.

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