04/04/2005 08h37 – Atualizado em 04/04/2005 08h37
Estadão
O são-paulino, enfim, não vai precisar mais ouvir os adversários dizerem que seu time “amarela, pipoca, treme” ou qualquer palavra para definir que os jogadores costumam sentir a pressão na hora da decisão. O São Paulo, mesmo sem brilhar, atuou com seriedade, neste domingo, esbanjou determinação e garantiu o 20.º título estadual de sua história – ou 21º. para os que computam o de 1931, alcançado pelo São Paulo da Floresta – ao empatar com o Santos por 0 a 0, em Mogi Mirim.É claro que o torcedor preferia ter visto gols, ter gritado ‘olé’ com mais entusiasmo, mas a equipe optou pela cautela para assegurar o primeiro lugar já nesta rodada, faltando duas para o fim da competição. E alcançou o objetivo com méritos. O São Paulo sobrou no Paulista, foi muito melhor que o Corinthians e seus astros e que o Santos, de Robinho, e só não levou a taça na quinta-feira por causa de um tropeço diante da Portuguesa, no Pacaembu – algo que acontece no futebol e não tem nada a ver com ‘amarelar’ ou ‘pipocar’, como muitos disseram.Os números dão a idéia exata da superioridade tricolor. A equipe do Morumbi chegou a 42 pontos, contra 33 de Corinthians e Santos, os vice-líderes. “Nosso time não se abateu com a derrota para a Portuguesa”, festejou Rogério Ceni, um dos destaques da conquista. A confirmação do título contra o Santos teve sabor especial, afirmam os são-paulinos. O Santos se tornou uma espécie de algoz do time nos últimos anos. Em 2002, eliminou o São Paulo nas quartas-de-final do Brasileiro e, em 2004, desclassificou o adversário na mesma etapa da Copa Sul-Americana.Os santistas tiveram de ‘engolir’ a festa são-paulina. Pelo menos não em sua casa, a Vila Belmiro. A diretoria preferiu transferir o clássico da Vila para Mogi Mirim, de forma infantil. Estragou bastante a partida que definiu o campeão. O Estádio Wilson Fernandes de Barros, com capacidade para 17 mil pessoas, recebeu apenas 12.382 torcedores – muitos ingressos ficaram presos nas mãos de cambistas.O técnico Gallo facilitou a vida do São Paulo. Escalou vários reservas. Sua única estrela em campo foi Robinho, que pouco fez. O clube dá prioridade ao confronto com a LDU, quarta-feira, na Vila, pela Libertadores. Mas, do modo como a diretoria e a comissão técnica estão batendo cabeça ultimamente, não será nenhuma surpresa um novo resultado negativo dos santistas, que complicaria bem o time no torneio. O São Paulo, que agora volta a atenção para a Libertadores, enfrenta a Ponte Preta, sábado, pelo Paulista. Pela competição continental, recebe, na próxima semana, o Quilmes. Ontem, foi definido o primeiro rebaixado do Estadual: a Inter de Limeira, que perdeu por 3 a 1 para o Rio Branco.O clássico foi de baixo nível técnico. O São Paulo, que utilizou uma tarja preta na manga da camisa em respeito pela morte do papa João Paulo II, atacou bem mais, principalmente depois da expulsão do rival Halisson, no início do jogo, mas pecou pela falta de criatividade. A maioria das oportunidades ocorreu em chutes de fora da área. O goleiro Henao, que ganhou a posição de Mauro no Santos, foi o melhor em campo, mostrando segurança. Rogério Ceni, por outro lado, só suou a camisa no momento das comemorações.






