20/11/2004 08h08 – Atualizado em 20/11/2004 08h08
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Se a parceria entre Corinthians e Media Sports Investiment (MSI) já respirava com certa dificuldade, nesta sexta-feira recebeu novo golpe. A denúncia do conselheiro Romeu Tuma Jr. de que teria sofrido tentativa de suborno por parte de Marcelo Squassoni, suposto intermediário do empresário e negociador da MSI, Renato Duprat – que, por sua vez, acusa o conselheiro de estar mentindo -, caiu como uma bomba no acordo.
O deputado estadual pelo PPS diz haver recebido no fim da tarde de quinta-feira a visita de Marcelo, ex-assessor de seu irmão, Robson Tuma. Não tinha motivo para não atendê-lo. Em meados da década de 90, seu pai, o senador Romeu Tuma, recebeu das mãos do então vereador Marcelo o título de cidadão guarujense. “Há anos não o encontrava”, afirmou o conselheiro, que se disse surpreso ao ouvir do conhecido “uma oferta de R$ 1 milhão, em nome de Renato Duprat, Kia Joorabchian (representante da MSI) e Boris Berezovski (milionário russo que estaria por trás do fundo de investimentos)” para se calar e não criticar mais a parceria.
Registrou boletim de ocorrência no 96.º Distrito da Polícia Federal-SP após o episódio e, por meio de vários novos telefonemas, decidiu “dar corda para o cidadão se enforcar”. Na tarde desta sexta-feira, segundo suas palavras, pediu a Squassoni que o pusesse em contato com Duprat para, assim, confirmar a participação do empresário. Gravou as ligações.
No trecho da gravação mostrado à imprensa, Tuma perguntou a Duprat: “Aquilo que acertei com o Marcelo está certo?”. E veio a resposta, com a suposta voz do empresário: “Não tem problema nenhum.” Convidado a ir novamente ao gabinete, o ex-vereador foi detido pelos policiais da Assembléia Legislativa assim que chegou, por volta das 15 horas. “Ele confirmou o envolvimento do Duprat neste e em outros momentos da fita”, garantiu o deputado.
Encaminhado para o 36.º DP, Marcelo prestou depoimento e foi liberado. Ele confirmou as informações passadas por Tuma, que chegou horas depois com três fitas (40 minutos gravados) e um pedaço de papel no qual o acusado teria escrito o valor do suborno, no primeiro encontro.
Responderá em liberdade processo por corrupção ativa. “Quando não conseguem sucesso, partem para o suborno. Pois é, tentaram comprar o meu silêncio. Tenho que admitir: foi muita ousadia fazer isso com um deputado, que é também um policial (da Polícia Federal)”, declarou o mais polêmico opositor à parceria, que ficou irritado ao saber das contra-acusações partidas de Duprat. “Bandido faz isso mesmo, fala sem provar. Pede para ele mostrar gravações ou então para quebrar seu sigilo bancário, que aí você vai ver quem ele é”, esbravejou Tuma Júnior.
Após mais este barulho, o deputado estadual pretende ainda brigar na reunião do Conselho Deliberativo, terça-feira, pela não aceitação do acordo com a MSI. “Vou morrer defendendo o Corinthians”, disse.




